2017 - Barricada de Livros

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Les Misérables - O Musical
agosto 14, 2017 5 Comments

Eu honestamente não sei bem como expressar o quão importante essa história é para mim. Estou a meses tentando compor esse texto. E isso porque Les Misérables é a porta de várias coisas que são extremamente importantes na minha vida. Apesar de não ser o primeiro musical que eu assisti isso se deve a High School Musical! e nem O musical que me fez me apaixonar pelo gênero quem leva o crédito é 'Cantando na Chuva' ele ainda tem um papel muito importante nessa minha caminhada entre os musicais. Ele foi o primeiro musical que me tocou de forma tão intensa que me fez mudar completamente, isso porque quando eu tive meu primeiro contato com essa história lá em 2012 pelo filme musical que tinha sido lançado, era uma época em que eu era fria de certa forma. Eu não chorava com nada e tinha essa ideia de que sentir era ruim e uma forma de fraqueza. Les Misérables aqueceu meu coração.

Além disso, essa história foi o primeiro contato que tive com os clássicos por livre e espontânea vontade, sem falar que a decisão do nome "Barricada de Livros" veio até mim pois eu estava escutando a música "Do You Hear the People Sing?" no momento em que comecei a pensar em que nome dar a esse projeto novo que queria começar e até agora tá sendo uma aventura e tanto (se quiser saber mais, é só clicar aqui). E agora esse ano ele foi meu primeiro contato com um musical no palco. Não que eu nunca tinha assistido a uma peça musical, mas ele foi a primeira grande produção entendem? Grande produção que me deixou encantada do início ao fim.

Fiquei sabendo que teríamos essa montagem logo depois de a T4F anunciou em sua página no facebook e desde então mina cabeça ficou só nisso. Não tinha certeza se iria ter a oportunidade de assistir e isso me matava por dentro! Mas eis que isso se tornou possível e eu consegui me acalmar um pouco. Bem pouco já que a partir disso eu tive que trabalhar com a minha ansiedade da data chegar, mas foi lindo ainda mais levando em consideração que foi no fim de semana logo depois das provas da faculdade.

Bem, o musical teve seu início com Alain BoublilClaude-Michel Schönberg que fizeram os textos e as músicas respetivamente e em 1980 foi lançado um álbum com as músicas já prontas, nesse mesmo ano a versão teatral foi produzida em Paris, a peça foi um sucesso entre o público francês mas ficou em cartaz por apenas três meses. E eis que em 1982 o produtor Cameron Mackintosh entra em contato com o álbum francês e em 1985 a versão inglesa estreia em Londres. A crítica foi bem negativa com o espetáculo mas o público amou e deu no que deu! Les Misérables já é um adulto de 30 e tantos anos e continua firme e forte.


Les Misérables se passa no século 19 e possui várias histórias em seu enredo, eu particularmente não consigo apontar um protagonista. É claro que há um foco maior em Jean Valjean, principalmente no livro. mas no musical isso fica mais difícil de ser apontado pois há um grande foco em todos os personagens que vemos. Cada um tem seu tempo para nos contar sua história. Em suma: é uma história de esperança, de amor e de medos. Gosto de pensar Les Misérables como a obra mais humana que eu conheço. Apesar dos exageros que possui, pelo fato de ser baseado num livro também do século 19. Mas não vou me alongar nisso aqui, na resenha do livro eu farei isso.

Como disse antes, Les Mis aqueceu meu coração que antes era frio. Não foi de uma vez, precisei rever umas duas ou três vezes para notar o tamanho da história que estava ali na minha frente. Mas desde que isso aconteceu, não há uma única vez que eu não me emocione quando revejo essa história tão bem estruturada. Para se ter uma ideia, assim que as luzes se apagaram eu comecei a sentir a taquicardia começando e as lágrimas vindo e eu desabei no momento em que a orquestra começou a tocar. Pra resumir: eu assisti aos soluços. Tenho certeza que a senhora que estava ao meu lado me odeia! Ela não parava de me olhar como se falasse "se controle garota!". Eu tentei, não queria chorar no meio de pessoas estranhas mas chorei SIM.

Mesmo que eu tenha tentado me enganar dizendo que seria algo normal e sem muito importância, eu sabia da verdade não é mesmo? Assistir Les Mis no teatro é um sonho que se tornou realidade e isso não saia da minha cabeça em nenhum momento. Por alguns momentos eu pensava: "isso tá mesmo acontecendo?" e acho que a ficha só caiu mesmo quando chegou o intervalo e que notei que precisa ir ao banheiro imediatamente, naquele breve momento em que fiquei sozinha eu notei que sim, estava acontecendo!

Les Mis é feito de forma direta e ágil e dessa forma você nem percebe o tempo passar, e tédio é algo que passa longe do teatro, a não ser que você não seja fã de musicais e mesmo assim acredito que o tédio não irá te visitar. O que torna o musical tão acessível ao público é o fato de que sua história é universal mesmo sendo ambientada e tendo pano de fundo a França e seus problemas da época narrada. Há Jean Valjeans, Javerts e Fantines em todos os lugares do mundo. Assim como os problemas com a nossa sociedade não somem por completo conforme os anos vão se passando.

Esse foi o melhor espetáculo que eu já tive a oportunidade de assistir, como eu nunca tinha visto nada desse porte eu não tinha tantas expectativas ao entrar no teatro. Sabia que seria ótimo, mas foi muito além do que eu conseguia imaginar. Como eu estava acostumada com o filme e as músicas em inglês, o que mais me deixou com medo foi me deparar com versões que não me agradasse, mas felizmente as versões são muito bem feitas e fiquei bem feliz com o quão fiel o resultado ficou. Outra coisa que me assustou foi não entender uma palavra de Jean Valjean, isso porque o ator que o interpreta (Daniel Diges) é espanhol e devo dizer que fiquei surpresa em entender tudo bem mesmo com o seu forte sotaque.

E só mais coisinha quase irrelevante: Em todo o momento desde o anúncio eu não conseguia parar de pensar em como eles fariam para encaixar o '24601' na versão em português e quando vi Daniel no figurino que trazia o número '23623' e eu cantei o número e deu certo eu fiquei mais tranquila com o que estava por vir. Faz sentido? Talvez não, mas tamo aí. Mesmo eu sendo super suspeita para falar, eu recomendo demais o espetáculo! Se você é fã de musicais ou mesmo de teatro no geral, tenho certeza que vocês não vai se arrepender. Eu não me arrependo e daria de tudo para ver de novo. 💛

Deixo vocês agora com o trailer da peça e a música "Só Mais Um" (One Day More)

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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Buffy the Vampire Slayer
agosto 01, 20170 Comments


Buffy foi uma das primeiras séries que comecei a acompanhar de fato, isso porque minha tia e prima são fãs e eu sempre escutei falar sobre ela. Até que um dia eu resolvi assistir. Falhei horrivelmente por anos já que eu nunca conseguia passar da 4ª temporada. Verdade seja dita, essa é a mais chatinha de todas mas talvez seja porque eu não estava preparada naquele momento. Acredito que sempre há um tempo certo para você ver ou ler alguma coisa. Seja pela idade e/ou experiências de vida.

Importante é que eu nunca desisti e nesse ano eu recomecei e finalmente terminei. Tive um empurrão da Netflix que tirou a série do catálogo dela e eu acabei vendo tudo direto na pressa pois eu tinha um prazo. E por ter um prazo, eu pulei a 4ª temporada pois já tinha visto ela umas 2 ou 3 vezes e eu não tinha tempo a perder. Bom, fico feliz de ter finalizado a série esse ano já que em 2017 a série fez 20 anos de vida!

Mas qual a história? Vou primeiro citar a primeiro coisa que escutamos em todos os episódios da primeira temporada: "Em cada geração há uma escolhida. Ela sozinha irá enfrentar vampiros, demônios e as forças do mal. Ela é a Caçadora."
Basicamente quando uma Caçadora morre, outra Caçadora é chamada para seu trabalho do destino. A série tem início depois dos acontecimentos do filme de 1992 mesmo não seguindo realmente o que é mostrado nele (fiz post sobre o filme também, clique aqui para ler), Buffy se muda para Sunnydale depois de ser expulsa de sua antiga escola por ter colocado fogo no ginásio. Mas para o azar dela, ela se muda justamente para a Boca do Inferno ou seja, ali há MUITOS MONSTROS!!

O que faz Buffy ser tão importante para mim é que mesmo sendo criada por um homem a série é bem feminista e mostra que as mulheres são sim fortes e poderosas. Começando pelo óbvio, a protagonista  — adolescente, mulher, líder de torcida aparentemente fraca e indefesa  —  mas que na verdade é a heroína da história e que salva todo mundo o tempo todo. Não sozinha, ela possui ajuda de seu Sentinela, Giles e seus dois amigos, Willow e Xander e eventualmente de Cordelia, Anya e Tara. É interessante observar que apesar de ter sim protagonistas masculinos eles acabam sendo mais secundários em questão de liderança. Giles é um homem inteligente e que não gosta de quebras as regras dos seus superiores, mas Buffy quebra e faz como quer porque no fim do dia é ela que tem que se arriscar toda noite e matar vampiros e monstros. Xander não é lá muito inteligente mas é sim muito útil, mas nem tanto assim já que ele é o mais fraco da turma toda.

Talvez eu esteja falando de um jeito que faça parecer que a série ridiculariza os homens, mas não. Também não posso negar que ela inverte um pouco os papeis que nós somos acostumados a ver em séries em filmes. E é isso que importa. É preciso ter essa representatividade feminina, até a Cordelia que é uma "donzela em perigo" consegue se proteger sozinha sem precisar de um homem cuidando dela o tempo todo.

A série segue uma grande metáfora da vida em sua história, inicialmente com a convivência escolar e depois com a vida propriamente dita. A ideia é pegar os problemas e horrores que há na vida e manifestar isso em monstros reais. O que deixa a coisa mais brilhante é que conforme Buffy cresce e amadurece é possível ver que há uma diminuída nesses monstros místicos e ela até enfrenta seres humanos que estão ali para fazerem o mal. GENIAL. O que mais vemos os personagens fazer é enfrentar seus monstros diariamente, seja um vampiro ou uma insegurança perante a sociedade, o que deixa mais fácil para quem está vendo conseguir se familiarizar com aquilo. Porque afinal, todos nós temos que enfrentar nossos próprios demônios durante toda a nossa vida e tendo apoio de pessoas certas, nós podemos enfrentar qualquer coisa.

Além disso, o que torna a série mais realista mesmo com toda a fantasia inserida no meio são os personagens que são tão bem construídos que é quase impossível não gostar deles. Mesmo cada um tendo uma característica dominante eles não caem no esteriótipo e se mostram muito mais e amadurecem a cada episódio. O maior exemplo é a Willow que começa a série sendo aquela garota nerd e sem graça aos olhos dos rapazes mas que termina a série sendo uma das — talvez até A  mais poderosas da turma toda. E essa construção tão profunda dos personagens também faz com que eles não se escondam atrás da protagonista principal — que querendo ou não, continua sendo a Buffy) — como é comum de se ver, os amigos ali apenas para ajudá-la e no fim não vemos ou sabemos muita coisa sobre eles. Mas em Buffy the Vampire Slayer todos são importantes.

Enquanto eu assista Buffy eu escutei muito um certo amigo dizer que a série era uma mistura de clichês mas discordo, ela tenta fugir disso o máximo que pode. Uma das coisas que ele mais foge é do amor perfeito. É tão comum ver por aí histórias de amor que não tem um pingo de problemas ou se tem é tão facilmente superado que até dá sono. A vida real não é assim! Em qualquer tipo de relacionamento há diversos problemas e sendo realista, as vezes é tão difícil superar que isso compromete a relação. E em Buffy, todos os relacionamentos que são apresentados passam por grandes problemas e pra ter mais noção do que tô falando eles não acabam bem. Nenhum deles permanecem para sempre com seus parceiros.

Muitos podem não levar a história a sério, o que me deixa muito triste. Claro, há episódios que não são todos que vão gostar como o episódio musical da 6ª temporada ou ainda o episódio mudo da 4ª temporada, sem falar dos efeitos que obviamente não são lá aquelas coisas a série é de 1997 pessoal, tem que lembrar disso mas para mim isso tudo é balela. Como sempre digo, é preciso ver para falar alguma coisa. Até eu que sou apaixonada achava algumas coisas bestas, mas novamente: 1997! Sim, é uma série feminista e importante mas já se passaram 20 anos então claro que vão ter coisas que não vão ser tão legais hoje em dia, em todos os sentidos.

O que é preciso ser lembrado é que Buffy the Vampire Slayer é muito mais que uma série de fantasia ou um drama adolescente, é uma série sobre a vida, amadurecimento, amizade e amor. Com pitadas de comédia e muito drama real em que te faz chorar constantemente (fiquei desolada e desidratada na series finale!). Não sei se consegui ser clara, mas para mim é a melhor série que alguém pode assistir e eu espero que você dê uma chance!

*Nota: em comemoração dos 20 anos de Buffy, a Entertainment Weekly fez um ensaio lindíssimo com o elenco, olhem só que amor 💛

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domingo, 16 de julho de 2017

Carros 3
julho 16, 20170 Comments

E eis que 6 anos depois do lançamento do segundo filme da franquia, o famoso carro de corrida Relâmpago McQueen (ou para os íntimos, Relâmpago Marquinhos) volta para o seu terceiro filme. Logo quando saiu o primeiro teaser dele eu já fiquei louca pelo longa. Filme infantil e o personagem principal capotando? Fiquei muito curiosa para saber o que tinha acontecido com aquele carrinho teimoso que conquistou toda a minha família.

Nesse filme, Relâmpago Marquinhos só consigo chamar ele assim agora desculpa já é um piloto veterano e se encontra agora no meio de vários estreantes que são mais rápidos e preparados do que ele. Depois do bendido acidente do teaser, ele acaba se afastando do esporte que tanto ama por um tempo. Com a ajuda do seu novo patrocinador (na verdade, novo dono do seu patrocinador), Relâmpago se prepara para sua volta com a sua treinadora Cruz Ramirez. Vamos começar por aí.

Algo que me ganhou demais nesse novo filme foi a Cruz Ramirez e uma outra personagem feminina menor, a Natália Certeza. Isso porque a Natália, por exemplo, aparece como uma especialista em um programa de TV e tipo assim pessoal, para uma franquia em que as notícias principais sobre os pilotos eram todos carros homens (e normalmente bem chatos) isso foi maravilhoso. Ela é super profissional quando tá ali pra fazer o seu trabalho. E a Cruz! Ela me ganhou logo que apareceu como uma fã assumida do Marquinhos e no seu treino com ele. Ela é super animada e quer realmente ajudá-lo, o que me deixa bem irritada já que Relâmpago é teimoso e nem tenta fazer o que ela propõe e se acha o sabichão. AAAAAH. Odeio ter que admitir que ele é chatinho as vezes, mas ele sempre aprende sua lição não é mesmo?

Relâmpago tenta ao máximo se segurar aos ensinamentos do Doc Hudson que teve um papel importante em sua vida. Isso o faz ir até a cidade em que Doc vivia para poder ter um tipo de ajuda com a própria pessoa que ensinou tudo que ele sabia. Cruz tem o papel de adversária de Relâmpago nos treinos, para que ele pudesse voltar preparado para derrotar os outros pilotos.


Apesar do foco ser Relâmpago, eu não pude deixar de notar um trabalho muito bem feito na história de Cruz. Ficamos sabendo que ela sonhava em ser uma piloto mas nunca teve muito apoio e por isso acabou desistindo da carreira antes mesmo de começar. Muito dessa falta de apoio é pelo fato de ela ser mulher. O QUÃO MARAVILHOSO É ISSO? Baita peso e responsabilidade levantar a questão do machismo no mercado de trabalho, isso acontece em tudo que é canto do mundo! Sem falar de que Cruz é oprimida pelo seu chefe e é obrigada a baixar a cabeça com seus gritos.

Como disse antes, a Cruz e a Natália foram os pontos chave para que eu entrasse de cabeça na história e amasse o que estava passando ali na minha frente. Quando o primeiro filme da franquia foi lançado eu me apaixonei pelo filme. Daquelas que tinham produtos deles sabem? Inclusive ainda tenho um Mate em miniatura aqui em casa. Bom, eu lembro como era difícil para mim, uma menina, gostar do filme que para a época era visto como voltado para o público masculino só por ser carros, pelo amor de Deus.

Nunca tinha percebido o quão ruim era não ter boas personagens femininas nessa franquia. Claro que a Sally, a Flo e a Lizzie estavam ali mas não de um jeito tão importante quanto o protagonista. O que eles fizeram nesse filme foi falar do Relâmpago mas também falar da Cruz. Aliás, ela é toda a razão para que Relâmpago consiga abrir os olhos e parar de ser egoísta e egocêntrico.

Em suma, esse terceiro filme me surpreendeu muito. Ainda mais quando a gente lembra de quão "méh" o segundo foi. E me orgulha muito dizer que dessa vez o público feminino é chamado para também aproveitar a história contada.


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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Log#1525
julho 05, 20170 Comments

O livro de hoje é um livro muito interessante e que me surpreendeu positivamente, isso porque: ele é uma ficção-científica nacional, o que eu nunca tinha tido contato antes e também pelo enredo e a forma de narrar que o autor usa. Mas eu ainda vou chegar nisso, primeiro vamos falar um pouco do autor.

B. Demetrius é formado em Comunicação Social pela PUC Minas. É diretor de arte, ilustrador, redator e escultor - especializado em design de personagens e monstros. Ele divide seu tempo entre seu trabalho como professor e a escrita. Ele é apaixonado por ciências, videogames, viagens espaciais e rock'n'roll desde a infância. Ou seja, ele escreve sobre o que ele ama. Maravilhoso, continue assim.

É difícil falar sobre Log#1525 sem que alguns spoilers acabem aparecendo. Assim, tudo o que vou dizer aqui não se encaixa no que eu considero um "spoiler", mas já deixarei avisado porque talvez pra você seja. A verdade é que o tema principal do livro pode ser várias coisas.... seria Log#1525 sobre um homem perdido num lugar estranho? Ou ainda sobre o isolamento e como isso é prejudicial para nós, seres sociais. Ou ainda sobre o estranho impulso de sobrevivência que nós carregamos em nossa natureza?

Em suma, é óbvio, o livro se trata de tudo isso. Mas acho interessante que de uma forma ou de outra, isso acaba sendo muito pessoal. E isso se encaixa com qualquer livro. O que o autor quis passar e contar em sua história conta muito, mas também acredito que a interpretação pessoal de cada leitor é de grande importância também. É praticamente impossível passar a mesma mensagem para todo mundo de forma eficiente. Mas a história é basicamente sobre Major, um astronauta brasileiro que desperta em um pequeno e frio planeta, isso depois de uma longa viagem espacial. Sem sinais de onde sua nave ou o resto da tripulação estão, Major se encontra completamente sozinho naquele planeta desconhecido e se vê obrigado a explorá-lo, isso movido a uma grande esperança de que talvez consiga voltar para casa.

Um ponto muito interessante é que apesar de estar sozinho, ao ler nós não sentimos muito desse grande desespero que o isolamento pode trazer e isso se deve ao fato de que Major possui um implante cerebral  B.O.R.I.S. que lhe oferece auxílio já que com isso ele pode ter acesso com o sistema de bordo da nave. Como o BORIS se comunica com nosso protagonista, e devido a não ter mais nenhum humano ali com ele, Major se agarra a sua única "companhia" e mantêm constantes conversas com o sistema.

São essas "conversas" que tiram um pouco do peso do livro. Apesar de eu amar um drama forte e pesado (Deus sabe que eu me apaixonei por Precisamos Falar Sobre o Kevin), eu entendo que foi uma decisão inteligente deixar o clima mais leve na maior parte do tempo, mas sendo sincera eu com certeza teria adorado mais ainda se fosse uma leitura que me fizesse passar mal lendo masoquista eu? mas claro, isso é muito pessoal. E talvez seja a psicóloga em mim falando já que é um tema que eu amo muito.

O isolamento de Major nos faz pensar se o que nós estamos lendo aconteceu de fato. No início do livro eu até fiz algumas teorias loucas do tipo, que ele estava dormindo e tudo aquilo fosse sonho. Há várias passagens em que ele jura de pé junto que ouviu algo mas o sistema em seu cérebro não capta nada. Aliás, lembrei de outra teoria: nessa o B.O.R.I.S. era um sistema maligno que tinha como objetivo destruir Major e dominar seu corpo. Essa é mais interessante, eu acho.

O livro é separado em 15 lotes de dados em que em cada um deles há um tanto de registros nomeados de Logs. E devo dizer que isso a princípio me chamou muita atenção, se você já lê meu blog provavelmente já sabe que eu amo capítulos curtos então ao ver a narrativa feita de forma curta dessa forma, eu fiquei muito feliz. Mas conforme fui lendo eu senti falta da forma tradicional de separação em capítulos. Deixo claro que esse tipo de estrutura é muito bem bolada e faz total sentido por conta da história, isso porque esses logs que nós temos em mãos são os registros de Major então ele não nos conta tudo como num livro comum contaria. A história pessoal dele é bem vaga e seus registros são boa parte objetivos apenas para uma consulta futura. Sem contar que há logs que nós não temos acesso e por isso a história fica um pouco picada e aberta a interpretações.

Vi várias pessoas falando que a premissa é bem parecida com Perdido em Marte, eu não fui influenciada por isso já que nunca vi/li só posso falar que apesar de sentir falta de uma narração convencional (seria muito legal se tivesse alguns flashbacks do treinamento de Major, ou ainda algumas experiências com o Cão), foi uma experiência muito interessante para mim que tô entrando agora no mundo da ficção científica e ainda mais na ficção científica nacional.

O maravilhoso do B. Demetrius me presenteou com essa linda edição especial autografada, com várias coisinhas juntas como vocês podem ver pelas fotos, parabéns pelo livro e pela dedicação que você tem por ele. Fiquei muito feliz de você ter confiado seu filho, espero que eu não tenha te decepcionado! ✩

Espero que vocês tenham gostado da resenha de hoje, e parece que eu não dei nenhum spoiler! Deixei o link de onde vocês podem adquirir seu exemplar lá em cima e vou deixar aqui em baixo a página do B. Demetrius para vocês poderem acompanhar o trabalho dele também. Até mais pessoal!

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Autor: B. Demetrius
Editora: Chiado
Ano: 2017
Páginas: 288
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quarta-feira, 28 de junho de 2017

Precisamos Falar Sobre o Kevin
junho 28, 2017 14 Comments

Já repararam que quando algo ruim acontece nós começamos a relembrar de tudo, na esperança de achar uma linha solta, algo que nos indique que foi ali, naquele momento em que tudo começou a ir ladeira abaixo? Não sei se isso acontece com todos, só sei que acontece comigo. E é exatamente isso que a nossa narradora faz.

Nossa narradora é Eva Khatchadourian, uma mulher bem sucedida que conseguiu ser independente através de um "trauma". Sua mãe não sai de casa de jeito algum, sente medo de tudo que há lá fora. Crescendo numa casa assim, Eva sente uma necessidade enorme de sair de sua zona de conforto e foi viajando que criou sua empresa "A Wing & a Prayer" um guia turístico. Por conta disso, Eva viaja muito a trabalho pois ela não confia essa verificação com mais ninguém a não ser ela mesma.

Ela é casada com Franklin, e querendo ou não ela é bem mais sucedida do que ele em questões de carreira e trabalho. O que o incomoda, ao menos foi o que eu mais percebi durante a minha leitura. O livro é composto completamente por cartas de Eva ao seu antigo marido. Logo descobrimos que eles não estão mais juntos e essas cartas são o modo que Eva achou de falar com alguém e ao mesmo tempo relembrar fatos de sua vida de casada, tendo a chance de lhe contar o seu lado da história.

O fato é que seu primogênito, Kevin, planejou e executou um massacre em sua escola em uma quinta feira. Ela intercala os acontecimentos presentes como seu dia a dia, seu novo trabalho e as visitas a penitenciária em que Kevin vive, com os acontecimentos passados que vai desde todo o processo de decisão de ter um filho até a bendita quinta feira.

Franklin, que é doido para ter um filho, levanta o questionamento da maternidade o que vem como uma pressão muito forte em cima de Eva, que não tem desejo de ser mãe. Ela até se questiona se há algo errado com ela já que com seus 35 anos ela ainda não tinha entrado nesse "cio maternal". Mas ela acaba cedendo e isso vem em grande parte pela culpa que ela sente em negar a única coisa que o marido mais quer. Ela tenta constantemente criar desculpas de que sim, ela queria ter esse filho. Mas a verdade é que ela nunca quis. E após ficar grávida, as coisas só pioram. Franklin era possessivo com o futuro filho, como se nada mais importasse além do bebê, nem mesmo a mulher que o carregava. 

O livro tem uma narrativa lenta, o que pode não ser agradável para todo mundo. Eu mesma sofri bastante lendo, não conseguia ler uma carta atrás da outra de jeito nenhum pois eu me sentia mal com todos os acontecimentos. Em vários momentos eu passei raiva e quis jogar o livro na parede ou na rua já que li boa parte dele no ônibus. Eu sinceramente não sei como Eva aturou tudo aquilo sem gritar ou assassinar alguém, assim como Kevin.

O marido dela, como já disse antes, era possessivo demais com o filho e acredita com todas as fibras do seu ser que o que Eva relata são mentiras, como se ela quisesse culpar o filho pelas suas falhas. Sem contar toda a questão que ele claramente não sabe como funciona um casamento saudável. Ele toma decisões sem ao menos contar para a mulher. Decide sozinho que eles precisam mudar para um subúrbio, praticamente força Eva a desistir de seu trabalho para cuidar do filho 24h por dia e ainda cria o filho como bem entende sem antes consultar a mãe.

Tipo assim querido, você não fez o bebê sozinho e ele não é só seu. Ela tem todo o direito de participar na forma como ele tá sendo educado tá bom? Sério gente, como ela consegue aturar isso? Deus me livre de um dia ficar na posição dela, porque eu com certeza surtaria facilmente.

Apesar de ter um tema perturbador no meio da história contada, o massacre escolar, a questão principal do livro é a maternidade e como isso pode ser negativo para uma mulher. O que é irônico pois as mulheres vivem em constante pressão para ser mães, mesmo que não queiram, e a maternidade é romantizada em tudo que nós vemos. O que esse livro faz é jogar toda essa romantização no lixo. A narração do trabalho de parto é torturante e foi a primeira vez que eu li essa dor real num livro. O mais próximo que eu cheguei da 'dor' antes foi em textos sobre o parto em que li para uma matéria da faculdade. Mas antes disso tudo que eu lia era como é algo lindo e prazeroso, não que não seja possível, mas acho que deu pra entender.

Me incomodou muito o fato de que quando Kevin mata seus colegas de escola, a culpa vai para cima de Eva e em nenhum momento é dito que a culpa foi também do pai (se é que existe culpa deles). É aquilo que vemos diariamente, a culpa é sempre da mãe. Não importa o que o pai tenha feito, a responsabilidade sempre cai em cima dos ombros da mãe. Eva se questiona muito se ela teve alguma culpa nisso tudo, ainda que ela acredite que Kevin nasceu mau.

É chocante todas as narrações da vida de Kevin com a mãe, desde o seu nascimento até a quinta feira. Desde o início, Kevin se mostra frio e não demostra nenhum interesse pela vida e nem afeto pelos pais. Isso fica bem claro para Eva, já que ele não tentava esconder isso dela. Já com o pai, ele fingia ter interesse pelo que lhe era apresentado. É ainda mais chocante, devido ao que nós somos levados a acreditar, quando descobrimos que Eva também não gosta do filho.

É um livro pesado, arrastado de uma forma boa e que eu acho que não agrada a todos que decidam ler. Mas se você resolver lê-lo, vá de mente aberta. Tente entender o lado dessa mãe que se sente tão culpada pelo comportamento do filho mesmo que no fim, a culpa não seja dela e de ninguém mais além de Kevin. E se preparem pro final, caso não tenham assistido ao filme.

Autora: Lionel Shriver
Tradução: Beth Vieira e Vera Ribeiro
Editora: Intrínseca
Ano: 2007
Páginas: 464
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quarta-feira, 24 de maio de 2017

Bom dia Verônica
maio 24, 20171 Comments

E finalmente eu li "Bom dia, Verônica". Ele já tá parado aqui faz uns bons meses e por algum motivo eu perdi o tesão de ler logo que ele chegou. Por isso a demora, na verdade eu só comecei a leitura porque eu não queria ler nada e peguei ele aleatoriamente. Fiquei surpreendida com a rapidez da minha leitura, durou só 3 ou 4 dias, isso porque quando eu comecei eu não gostei nada. Talvez por um certo preconceito, não sei se realmente acredito na história toda da autora que tá impresso em dois locais no livro e olha que foi exatamente por causa dessa história que eu quis comprá-lo pra começo de conversa.

Segundo a editora, a autora era alguém importante dentro da polícia e que depois de um trabalho infiltrada em um caso, sofreu um grande perda e se viu obrigada a assumir uma nova identidade e encontrou na literatura uma forma de vencer a depressão. Nasceu dai o pseudônimo Andre Killmore.

Bom dia, Verônica tem como protagonista a Verônica Torres, uma escrivã/secretária de um delegado que anda bem desanimada com sua carreira. Ela acredita que seu lugar não é ali em frente a uma mesa e sim lá fora resolvendo casos. Filha de um policial corrupto, Verônica também é cheia de traumas o que inclui uma tentativa de suicídio. Tudo muda quando em um dia ela conhece Marta Campos, vítima de um golpe, que depois de procurar ajuda na polícia e não receber ajuda necessária, se joga do 11º andar. Logo depois disso, Verônica recebe a ligação de Janete que diz que corre risco de vida e fala que seu marido mata mulheres. Sabendo desses dois caso sem ligação alguma, ela então decide investigar e ajudar essas mulheres.

Apesar de eu não ter gostado dele quando comecei a leitura, pois parecia muito superficial e até meio idiota, o livro em si acabou se mostrando muito bom. A autora consegue te prender depois de alguns capítulos e você não consegue mais soltar o livro. A forma como ela amarra as três histórias — Verônica, Marta e Janete — é bem coerente o que me deixou feliz já que por ter várias coisas diferentes acontecendo, seria muito fácil a autora perder o que está contando.


O livro aborda temas importantes para discussão como violência doméstica/contra a mulher e o mal funcionamento dos serviços públicos. O que me deixou decepcionada na verdade foi o fato desses assuntos perderem o foco para Verônica. Não tem como negar que ela é uma personagem muito bem construída, mas seus constantes erros me irritavam. Mas claro, isso é muito pessoal. Cada um tem seu modo e limite par aturar qualquer pessoa na vida real, o mesmo acontece com personagens. Acho que Verônica é aquele tipo de pessoa que ou você ama ou odeia. Infelizmente, eu odiei.

Outro ponto que me incomodou foi o desenrolar da história do marido de Janete, ao mesmo tempo que o desenrolar do golpista de Marta é algo extremamente animador o do PM foi desanimador para mim. É muito bem bolada o background da história dele, mas pra mim não colou...não sei explicar o motivo. Acho que acabou sendo muito além do que eu imaginava. Mas de novo, isso é muito pessoal.

Em suma, é um livro muito bem estruturado e bem desenvolvido. Te prende do começo ao fim e é bem simples de ler, sem falar da edição linda da DarkSide. Talvez o motivo de eu não ter amado de paixão seja pelo fato de eu não ser tão fã de livros policiais, de qualquer forma não achei ele um livro realmente impressionante, apenas bem amarrado.
E vocês, já leram? Lembro que ele tava super falado por aí na época do lançamento. Me digam o que acharam dele!

Autora: Andrea Killmore
Editora: DarkSide Books
Ano: 2016
Páginas: 251
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sábado, 20 de maio de 2017

8 motivos para você assistir "That '70s Show"!
maio 20, 20170 Comments

Olá pessoal! Hoje eu tô aqui pra falar sobre essa série que conquistou meu coração nos últimos tempos: That '70s Show! Eu acabei de assistir faz algumas semanas e já tô morrendo de nostalgia. Queria muito ser o tipo de pessoa que consegue ver episódios aleatórios de séries, mas eu não dou conta. Ou acompanho tudo de novo ou deixo ela quieta. Enfim, vamos falar um pouco dela.

A série é ambientada, obviamente, nos anos 70. Mas especificamente no ano de 1976 e se passa na cidade fictícia Point Place, Wisconsin. A história, que termina na virada de 1979 para 1980, relata o dia a dia de um grupo de amigos adolescentes que passam a maior parte do tempo reunidos no porão da casa de Eric conversando, fazendo planos ou ainda fumando maconha.

Ela me cativou tanto que resolvi fazer uma pequena lista dos motivos pelos quais eu acho que "That '70s Show" vale seu tempo e sua dedicação (afinal, ela teve 8 temporadas!). Vamos la!

1. Elenco maravilhoso
Acho quase impossível falar de That '70s Show sem comentar sobre o elenco. Foi o motivo principal para eu mesma querer assistir. O elenco principal inteiro é composto por atores que a gente conhece muito bem no começo de suas carreiras. Além dos outros atores, que também são ótimos.

2. Os Personagens
Todos muito bem construídos! No começo você pode até achar que eles vão ser todos rasos, mas conforme a história vai passando você vê que não! São pessoas reais, adolescentes divertidos e que vive fazendo burrada, acho muito difícil não se apaixonar por cada um deles.


3. O círculo
Talvez a melhor parte da série toda. Como disse lá em cima, há momentos em que o grupo se junta para fumar maconha porém isso nunca é dito abertamente. Pra isso, a série teve a sacada de colocá-los em círculo em que a câmera vai girando e focando em cada personagem, como se eles estivessem passando o baseado.

4. A abertura
Sem brincadeira, quando eu comecei a assistir a série eu decorei a música de abertura logo no segundo episódio e não teve uma abertura nessas 8 temporadas em que eu não cantei junto! É viciante.

Hello Wisconsin!



5. Fez
Sem dúvida meu personagem favorito. Fez é um estudante de intercâmbio viciado em doces, virjão e tarado. Tem o melhor sotaque e em nenhum momento da série nós descobrimos de onde diabos ele veio, na verdade nem os próprios amigos sabem! Nós não sabemos nem o nome dele, ele só diz uma vez e não escutamos e é um nome tão complicado que deram esse apelido para ele. Apesar de ser meio babaca as vezes, ele é um personagem adorável e sabe muito bem terminar uma discussão.


6. Piadas/Diálogos
Desde o fim de How I Met Your Mother, eu tava com um sério vazio de uma série engraçada, realmente engraçada, sabe? Aquelas que te faz gargalhar e não apenas sorrir. E That '70s Show preencheu esse vazio (e agora já tá vazio de novo). Apesar de volta e meia ter alguma piadinha machista e preconceituosa, é algo que conseguimos relevar considerando a época que a série foi feita e, óbvio, a série em que a história se passa.

7. Tabus
Apesar das piadinhas sem graça, a série aborda assuntos muito bacanas e que eram ou continuam sendo um tabu como: uso de drogas, sexo na adolescência e feminismo! Donna é abertamente feminista e independente. Uma das melhores partes.

8. A série completa está disponível na Netflix
Nada é mais agradável que assistir uma série na Netflix não é? Então aproveitem e vão maratonar essa série linda!!

Ficou com vontade de ver ou já assistiu a série? Me falem aqui o que acharam dela depois!
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quarta-feira, 8 de março de 2017

O Lado Bom da Vida
março 08, 2017 19 Comments

Lembro que eu gostei bastante quando li pela primeira vez. Dessa vez eu fiquei a maior parte da leitura morrendo de tédio. Mas isso não significa que o livro é ruim. Não mesmo. É um livro ótimo, mas já não servia tanto para mim nesse momento.

O livro conta a história de Pat Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos que acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Ele não lembra o que aconteceu para que eles fosse internado e acredita que passou apenas alguns meses lá. O que ele sabe é que sua esposa Nikki, pediu um "tempo separado".

Convencido de que esse "tempo separado" está para acabar, ele tenta mudar tudo que aborrecia sua esposa, para que ele possa ser um marido melhor quando finalmente a encontrar. Ele volta a morar com seus pais e sua vida ali não é muito fácil. Apesar de ter uma mãe amorosa e acolhedora, seu pai é um homem difícil que vive de mau humor. Mas Pat é positivo com tudo pois acredita em finais felizes e no lado bom da vida.


A história como um todo é muito bonita e bem feita. Pat logo no início da história é apresentado a Tiffany, irmã da esposa de seu amigo. Ela, assim como ele, também tem problemas psicológicos e a amizade que eles constroem é bem bonita de ser lida. Mesmo ela sendo uma mulher bem difícil.

A parte que mais me incomoda no livro são as cenas em que Pat, seu pai e seu irmão (e as vezes seu amigo Ronnie) assistem aos jogos de futebol americano, mesmo sendo de extrema importância já que é praticamente os únicos momentos em que o pai de Pat fala com ele. Mas eu, como uma pessoa que não gosta de esportes no geral, achei essas cenas cansativas e extensas. Mas se você gosta de esportes, principalmente o futebol americano, isso não vai ser nada.

Eu não sei se só eu pensei nisso lendo, mas eu odiei o pai de Pat. Ele é um péssimo homem/marido e a mãe dele merecia alguém bem melhor. Outro ponto que me incomodou bastante, principalmente agora que eu estou fazendo psicologia, é o fato do terapeuta de Pat ser super parça dele. Não é bem assim que deve ser, mas tudo bem. Agora, se tem uma coisa que me pegou de forma totalmente positiva foi os capítulos. Capítulos curtos me cativam. E esse livro me cativou por isso, além da história.

O Lado Bom da Vida é um livro divertido de ser lido, apesar das partes que eu achei negativa. Pat Peoples é cativante mesmo sendo um pouco estúpido as vezes. É uma história de superação bem feita e mesmo já sabendo o que tinha acontecido antes dele ser internado, já que vi o filmes antes de ler, a cena em que ele lembra é surpreendendo mesmo assim.

Autor: Matthew Quick
Tradução: Alexandre Raposo
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 254
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quarta-feira, 1 de março de 2017

Por que Indiana, João?
março 01, 2017 22 Comments

O livro é narrado em primeira pessoa por João, ele é um garoto de 15 anos que sofre bullying constante de Guilherme e seus amigos, simplesmente por ser diferente. Ele é apaixonado por uma garota e tem apenas um amigo, o Daniel, que era popular em sua antiga escola, o que o faz ser totalmente indignado com a sua situação e a de João. 

Um dia, depois do Guilherme saber que João tentou chamar sua namorada pra sair, João revida um ataque no meio da sala de aula e Daniel filma o acontecido. Logo depois o vídeo é postado no canal que os garotos tinham (mas que só João usava) o que muda completamente a vida de João. De repente ele se vê popular, sendo chamado para entrevistas, conhecendo mais pessoas que também sofrem bullying. É emocionante, mas com tudo isso coisas acabam vindo a tona. 

É bom deixar bem claro na cabeça quando você lê esse livro que João é apenas um garoto de 15 anos. Sendo assim, é tudo demais pra ele. Não que o bullying não fosse nada, eu respeito muito o João porque o que ele passa é terrível. Eu mesma já sofri bullying, mas o que acontece com ele está em outro patamar. Eu não sei se eu conseguiria ser forte como ele é.

"Por que Indiana, João?" é uma clássica história sobre consequências e o que podemos aprender com nossos erros. Conforme a história vai se desenvolvendo, vemos muitos das personagens crescendo com a situação que começou com o João. E isso inclui adultos também. O que é bem bonito de se ver.
Esse livro me tocou de uma forma que nem sei dizer. 

Há uma cena, em que o João fala para seu professor que alguém colou seu caderno na mesa, e o professor diz que não pode fazer nada já que não viu quem tinha feito aquilo. E isso me fez lembrar de uma cena praticamente idêntica de quando eu tinha uns 12 anos e fui relatar pra diretora da minha escola que uma colega me xingava e puxava meu cabelo no corredor. E ela disse exatamente a mesma frase.

Esse é um livro simples, mas eu o acho poderoso. Nunca é demais quando o assunto é bullying. É algo real que acontece em todos os cantos e precisamos saber sobre e prestar atenção nas nossas crianças, pois muitas vezes a vítima não fala. E mesmo quando fala, talvez não diretamente, muitos adultos ignoram. E isso é perigoso. Eu espero que esse livro, ao ser lido, seja mais um passo em direção a maturidade desse assunto. Eu recomendo a leitura dele 💛

Autor: Danilo Leonardi
Editora: Giz Editorial
Ano: 2014
Páginas: 206
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quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Quarto
fevereiro 08, 20170 Comments
Quarto tem como pano de fundo sequestro, cárcere privado e estupro, basicamente. E sim, pano de fundo porque a real história ali é Jack, o filho de Joy que foi sequestrada quando tinha 19 anos. O livro é narrado em primeira pessoa por Jack que acaba de completar 5 anos e o único local que conhece é aquele quarto em que sua mãe é mantida presa. Jack nos narra seu dia a dia e vemos que a Mãe faz de tudo para que ele tenha uma vida normal, na medida do possível.

A história é lenta e um pouco cansativa no início, isso porque tudo que lemos é como Jack enxerga as coisas e ele constantemente fica narrando tudo que sabe. Um dos motivos de ter achado esse começo chato é que, lendo como alguém mais velho que sabe o que realmente acontece ali naquele espaço, senti um certo desespero por Jack e a Mãe. Tudo que queria era que eles saíssem de lá para que Jack pudesse ser livre.

E então a história começa a se movimentar. Depois de um desentendimento com o sequestrador, a Mãe se dá conta que eles precisam sair daquele lugar o mais rápido possível. Ela então bola um plano para que isso seja possível, e aí que o livro passa a ser realmente bom.

Quarto é um livro belo que nos mostra como o isolamento pode transformar uma pessoa. Ele nos faz refletir sobre como o contato de uma criança com o mundo é importante para seu crescimento, mas também nos mostra que o amor é poderoso e pode também ser transformador. É um livro rápido com uma narrativa que flui facilmente com as palavras simples de uma criança. É um livro que toca e te emociona. Mas para mim, não é o melhor livro da vida. Ele é ótimo, isso eu não posso negar e talvez esse sentimento tenha vindo pois eu estava totalmente vidrada em "Diário de Uma Escrava"... só sei que eu poderia ter passada mais um ano sem ler esse livro.

Não me tocou o tanto que achei que me tocaria. Assisti o filme logo em seguida e devo confessar que prefiro o filme. Pois é, as vezes isso acontece! O filme consegue te passar de forma mais intensa o quão sufocante é a história mostrada. Mas apesar da minha opinião não tão animada, eu recomendo a leitura para todos. Apesar do tema pesado, é tudo narrado de forma leve. E espero que se você leia, ele te toque da forma como ele não me tocou :)

Autora: Emma Donaghue
Tradução: Vera Ribeiro
Editora: Verus Editora
Ano: 2011
Páginas: 349
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Diário de Uma Escrava
janeiro 12, 2017 15 Comments

Diário de Uma Escrava é um livro nacional lançado ano passado pela editora DarkSide Books. Fui cativada pela capa e acabei me surpreendendo bastante com a história. O livro narra em forma de diário a história de Laura, uma garota que aos 15 anos que foi sequestrada e jogada num buraco por um homem que todos consideravam ser um “cidadão do bem”, a quem ela chama de Ogro.

Laura nos mostra sua vida confinada naquele lugar em situação precária e todas as horríveis experiências com aquele desconhecido homem. Apesar de a premissa partir do formato de diário, a autora depois de um tempo começa a intercalar o diário de Laura com uma narrativa em 3ª pessoa com os acontecimentos fora do cativeiro. O que acaba sendo um ótimo recurso para nos mostrar mais sobre como as decisões do sequestrador estão sendo vistas pela sociedade.

A narrativa começa com Laura já em cativeiro por mais de quatro anos, ela então nos mostra um pouco de como é sua rotina de forma até despreocupada pois depois de tanto tempo naquela situação, ela já normalizou tudo que lhe acontece, por mais horrível que seja, como ao narrar um dos estupros diários de forma como se já nem ligasse. É terrível. Devo ressaltar que as narrações dela perante todo o abuso sofrido é feita de forma para realmente chocar o leitor, o que deve ser levado em consideração na escolha da leitura caso isso seja um gatilho para o leitor, eu mesma precisei parar a leitura em vários momentos.

Laura passa boa parte do livro divida entre ter esperanças de conseguir fugir e aceitar que ela vai acabar morrendo naquele lugar. Assim como depois do Ogro ter tido um certo descontrole e atacar garotas de forma precipitada, ela acaba entrando num dilema e não saber exatamente o que sente em relação aquela pessoa já que ao mesmo tempo em que ele a humilha e a oprime e ameaça, ele também cuida dela quando necessário. É uma personagem complicada e difícil de entender e em alguns momentos não me senti no direito de julgar as decisões dela. Temos a mania de querer julgar os personagens que lemos por simplesmente termos as "ferramentas" necessárias, e isso fica ainda mais fácil quando a situação que a personagem se encontra é uma situação menos real ou simples. Mas esse não é o caso de Laura.


A situação dela é próxima da nossa realidade e lendo esse livro eu pude refletir em como a gente não quer ver isso. Mesmo quando há casos semelhantes a gente acaba tentando se enganar. Precisamos abrir os olhos para o que acontece a nossa volta. Chegando mais perto da nossa realidade, o que está presente no caso fictício de Laura é o mesmo que podemos encontrar em casos reais e parecidos com esse: violência contra mulher. E não podemos fingir que violência assim apenas está presente em casos extremos como esse, está nos detalhes. Há diversas formas de violentar uma mulher. 

O livro possui uma escrita simples e objetiva o que contribui muito para a história ser nua e crua. E apesar de ter lido algumas resenhas negativas antes de ler, consegui ler sem pensar muito nisso e gostei bastante. Mas ainda assim, acredito que o tema poderia ter sido desenvolvido de forma uma pouco mais cuidadosa e não simplesmente para chocar. O final também deixou a desejar pois eu esperava um pouco mais da personagem. Mas em suma, a autora soube entregar o que pretendia: uma história chocante e que tem o poder de prender o leitor.

Autora: Rô Mierling
Editora: DarkSide Books
Ano: 2016
Páginas: 217
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@linelanis