Março 2017 - Barricada de Livros

quarta-feira, 22 de março de 2017

Uma História Meio que Engraçada
março 22, 2017 3 Comments
E finalmente eu tô aqui pra falar sobre um dos livros mais xuxu que eu tenho aqui no meu acervo. Ganhei ele de aniversário do ano passado e foi o melhor livro que já ganhei, isso porque eu já tava namorando ele fazia tempo! Desde que vi o filme (que tem a tradução mais nada ver existente) eu tava louca para ler. Porém na época o livro não tinha sido publicado no Brasil, e a versão inglês era bem cara e acabei ficando nisso.

Mas aí veio o grande acontecimento! A Leya tinha publicado o meu grande amorzinho!
E eu sou completamente grata pela Leya não ter feito a capa do filme e nem usado a tradução do filme. MUITO OBRIGADA LEYA!

Uma História Meio que Engraçada vai nos contar a história de Craig, um garoto de 15 anos que tem depressão e pensa em cometer suicídio. Mas se interna em um hospital antes de tentar alguma coisa. Narrado em primeira pessoa, Craig começa nos contando um pouco sobre sua vida. Nos fala sobre seus amigos, sua família e em como ele tinha um objetivo bem claro: passar na Executive Pre-Professional High School por acreditar que fazendo uma escola séria e bem puxada, com a melhor educação, seria o grande segredo de uma vida bem sucedida.

Mas ao passar e começar o ensino médio, ele se vê pressionado a ser o melhor assim como seus colegas de escola. Mas Craig é "apenas" um aluno dentro da média. Ele então entra em depressão, chegando ao ponto de pensar em suicídio. Ele então passa 5 dias dentro da Seis Norte, a ala psiquiátrica do hospital. Ele tem que ficar junto com os adultos já que o andar de adolescentes está sendo reformado. Lá ele faz amizade com os pacientes e até conhece outra adolescente, a Noelle.

O livro nos conta sobre um tema pesado e muito comum de forma cômica, ele não tenta deixar o ar com aspecto pessimista. Mesmo nas partes em que Craig narra o que está sentindo, você consegue até sentir o sufoco que é, mas por ter essa vibe fica bem mais fácil de ler.


Mas isso não torna o livro menos difícil, e nem banal. Com a leitura, é possível ter uma melhor visão sobre essa doença seríssima que até hoje é vista como uma simples "frescura" ou "drama. Até Craig tem um pouco dessa visão perante ele mesmo. Ainda mais vendo seus colegas ali, numa situação pior que a dele. Ele reforça a ideia de que os problemas dele, por serem menores, não são importantes e assim ele só está tentando ter uma desculpa para não fazer o que precisa fazer.

"[...] E, pelo fato de precisar ser o centro das atenções, de precisar de algo mais, acabei vindo parar aqui, chafurdando em mim mesmo, tentando convencer todo mundo à minha volta que eu tinha alguma espécie de... doença.
Não tenho doença nenhuma. Dá pra ir levando. Depressão não é uma doença. É um pretexto pra ser uma prima donna. Todo mundo sabe disso."

O que não é verdade. E isso é muito comum de se ver.
Quantas vezes alguma coisa ruim aconteceu com você e alguém disse "pelo menos não foi nada pior" ou alegou que você devia pensar que alguém em algum lugar está numa situação pior que você?

Precisamos parar com isso! Muitas pessoas não procuram ajuda justamente por sentirem que tem a obrigação de ficar satisfeito com seus problemas porque eles não são piores. Problemas são problemas e precisam ser resolvidos! E além disso, é tudo muito pessoal. O que pra mim pode ser horrível, talvez pra você não seja nada. Craig entende isso no desenrolar de sua trajetória ali no hospital. Ele precisa focar em seu próprio tratamento e ficar bem. E isso não é egoísmo.


Ned Vizzini

Edison Price Vizzini, nasceu dia 4 de abril de 1981 e começou escrevendo para o The New York Press quando tinha 15 anos. Aos 19 publicou seu primeiro livro, Teen angst? Naah...
Ele escrevia sobre suas experiências, principalmente na época do ensino médio.
Uma História Meio que Engraçada é baseada em sua experiência pessoal dentro de um hospital psiquiátrico em 2004.
Ned Vizzini cometeu suicídio em 19 de dezembro de 2013.

Autor: Ned Vizzini
Tradução: Luis Reyes Gil
Editora: Leya
Ano: 2015
Páginas: 293
Reading Time:

quarta-feira, 15 de março de 2017

As Vantagens de Ser Invisível
março 15, 2017 8 Comments
Ah, o que dizer desse livrinho tão pequeno e que parece ser tão simples quando na verdade é carregado de história tristes e pesadas? Mas o mais incrível é que você quase não nota isso, e acho que esse é o motivo de eu amar tanto esse livro.

Descobri a história de Charlie como quase todo mundo, pelo filme estrelado pela Emma Watson, Logan Lerman e Ezra Miller e tem participação da Nina Dobrev também. Admito que só quis ver pelos atores, mas ainda bem que vi. Esse filme me trouxe muita alegria, assim como o livro que li pela primeira vez algum tempo depois.

As Vantagens de Ser Invisível é um livro composto apenas de cartas escrita por Charlie para uma pessoa desconhecida. O destinatário não sabe quem envia essas cartas, Charlie as envia porque quer conversar com alguém sobre o que acontece com ele. Aliás vale lembrar que logo no início da primeira carta, Charlie diz que vai mudar todos os nomes pois não quer ser descoberto. Então, na verdade não sabemos nem o nome verdadeiro dele... não gosto de pensar nisso.

Charlie é um garoto de 15 anos prestes a começar o ensino médio e ele teme sua experiência já que não tem amigos desde que seu melhor amigo se matou no ano anterior. É então que quase que sem querer ele faz amizade com Sam e Patrick, veteranos, e de repente ele não se vê mais sozinho. Ele é o caçula de três filhos. O irmão mais velho está na faculdade e sua irmã, Candace, é veterana assim como seus amigos.

Ele então, agregado ao grupo amigo de Sam e Patrick, começa a frequentar festas e notar tudo ao seu redor. Sendo um garoto quieto e solitário, é o que mais faz. Aliás, daí que vem o nome Wallflower do título original. Essa palavra não tem tradução para o português, mas é aquela pessoa que não "participa" e só observa. E o que vemos praticamente o livro todo, é um Charlie se esforçando para "participar". Esse esforço começa a ser maior quando ele vê o quão bom é ter uma amizade verdadeira.

"Não sei o que as outras pessoas achavam de mim. Não sei o que elas pensavam. Eu estava sentado no chão de um porão, na minha primeira festa de verdade, entre Sam e Patrick, e lembro que Sam me apresentou como amigo a Bob. E lembro que Patrick fez a mesma coisa com Brad. E comecei a chorar. E ninguém naquele porão me achava estranho por estar fazendo isso. E depois eu comecei a chorar pra valer." pág 48

É possível notar o quão importante isso é para ele. Ele é visto como estranho por todos, inclusive pela sua família. E nem ele mesmo entende o que se passa. O livro nos faz pensar que talvez seja por conta da morte de sua Tia Helen, a quem ele fala várias vezes o quanto adorava ela. Mas ao fim do livro, descobrimos o que aconteceu com Charlie quando ele era criança, coisa que não fica tão claro no filme.


O livro, como disse antes, é cheio de histórias tristes e pesadas como estupro, violência contra a mulher, depressão e suicídio. Mas Stephen Chbosky não entrega essas coisas assim pra chocar. Ele nos conta a história dessas pessoas, seus traumas, modo como lidam com a vida. E o livro é tão positivo. Há livros com visões pessimistas, esse não é um desses.

Pra mim, a principal mensagem que captei foi essa: Só porque há pessoas com uma situação pior que você, não quer dizer que sua tristeza não é importante. Vai ficar tudo bem.

"Então, acho que somos quem somos por várias razões. E talvez nunca conheçamos a maior parte delas. Mas mesmo que não tenhamos o poder de escolher quem vamos ser, ainda podemos escolher aonde iremos a partir daqui." pág 221 

Autor: Stephen Chbosky
Tradução: 
Editora: Rocco Jovens Leitores
Ano: 2012
Páginas: 223
Reading Time:

quarta-feira, 8 de março de 2017

O Lado Bom da Vida
março 08, 2017 19 Comments

Lembro que eu gostei bastante quando li pela primeira vez. Dessa vez eu fiquei a maior parte da leitura morrendo de tédio. Mas isso não significa que o livro é ruim. Não mesmo. É um livro ótimo, mas já não servia tanto para mim nesse momento.

O livro conta a história de Pat Peoples, um ex-professor na casa dos 30 anos que acaba de sair de uma instituição psiquiátrica. Ele não lembra o que aconteceu para que eles fosse internado e acredita que passou apenas alguns meses lá. O que ele sabe é que sua esposa Nikki, pediu um "tempo separado".

Convencido de que esse "tempo separado" está para acabar, ele tenta mudar tudo que aborrecia sua esposa, para que ele possa ser um marido melhor quando finalmente a encontrar. Ele volta a morar com seus pais e sua vida ali não é muito fácil. Apesar de ter uma mãe amorosa e acolhedora, seu pai é um homem difícil que vive de mau humor. Mas Pat é positivo com tudo pois acredita em finais felizes e no lado bom da vida.


A história como um todo é muito bonita e bem feita. Pat logo no início da história é apresentado a Tiffany, irmã da esposa de seu amigo. Ela, assim como ele, também tem problemas psicológicos e a amizade que eles constroem é bem bonita de ser lida. Mesmo ela sendo uma mulher bem difícil.

A parte que mais me incomoda no livro são as cenas em que Pat, seu pai e seu irmão (e as vezes seu amigo Ronnie) assistem aos jogos de futebol americano, mesmo sendo de extrema importância já que é praticamente os únicos momentos em que o pai de Pat fala com ele. Mas eu, como uma pessoa que não gosta de esportes no geral, achei essas cenas cansativas e extensas. Mas se você gosta de esportes, principalmente o futebol americano, isso não vai ser nada.

Eu não sei se só eu pensei nisso lendo, mas eu odiei o pai de Pat. Ele é um péssimo homem/marido e a mãe dele merecia alguém bem melhor. Outro ponto que me incomodou bastante, principalmente agora que eu estou fazendo psicologia, é o fato do terapeuta de Pat ser super parça dele. Não é bem assim que deve ser, mas tudo bem. Agora, se tem uma coisa que me pegou de forma totalmente positiva foi os capítulos. Capítulos curtos me cativam. E esse livro me cativou por isso, além da história.

O Lado Bom da Vida é um livro divertido de ser lido, apesar das partes que eu achei negativa. Pat Peoples é cativante mesmo sendo um pouco estúpido as vezes. É uma história de superação bem feita e mesmo já sabendo o que tinha acontecido antes dele ser internado, já que vi o filmes antes de ler, a cena em que ele lembra é surpreendendo mesmo assim.

Autor: Matthew Quick
Tradução: Alexandre Raposo
Editora: Intrínseca
Ano: 2013
Páginas: 254
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quarta-feira, 1 de março de 2017

Por que Indiana, João?
março 01, 2017 22 Comments

O livro é narrado em primeira pessoa por João, ele é um garoto de 15 anos que sofre bullying constante de Guilherme e seus amigos, simplesmente por ser diferente. Ele é apaixonado por uma garota e tem apenas um amigo, o Daniel, que era popular em sua antiga escola, o que o faz ser totalmente indignado com a sua situação e a de João. 

Um dia, depois do Guilherme saber que João tentou chamar sua namorada pra sair, João revida um ataque no meio da sala de aula e Daniel filma o acontecido. Logo depois o vídeo é postado no canal que os garotos tinham (mas que só João usava) o que muda completamente a vida de João. De repente ele se vê popular, sendo chamado para entrevistas, conhecendo mais pessoas que também sofrem bullying. É emocionante, mas com tudo isso coisas acabam vindo a tona. 

É bom deixar bem claro na cabeça quando você lê esse livro que João é apenas um garoto de 15 anos. Sendo assim, é tudo demais pra ele. Não que o bullying não fosse nada, eu respeito muito o João porque o que ele passa é terrível. Eu mesma já sofri bullying, mas o que acontece com ele está em outro patamar. Eu não sei se eu conseguiria ser forte como ele é.

"Por que Indiana, João?" é uma clássica história sobre consequências e o que podemos aprender com nossos erros. Conforme a história vai se desenvolvendo, vemos muitos das personagens crescendo com a situação que começou com o João. E isso inclui adultos também. O que é bem bonito de se ver.
Esse livro me tocou de uma forma que nem sei dizer. 

Há uma cena, em que o João fala para seu professor que alguém colou seu caderno na mesa, e o professor diz que não pode fazer nada já que não viu quem tinha feito aquilo. E isso me fez lembrar de uma cena praticamente idêntica de quando eu tinha uns 12 anos e fui relatar pra diretora da minha escola que uma colega me xingava e puxava meu cabelo no corredor. E ela disse exatamente a mesma frase.

Esse é um livro simples, mas eu o acho poderoso. Nunca é demais quando o assunto é bullying. É algo real que acontece em todos os cantos e precisamos saber sobre e prestar atenção nas nossas crianças, pois muitas vezes a vítima não fala. E mesmo quando fala, talvez não diretamente, muitos adultos ignoram. E isso é perigoso. Eu espero que esse livro, ao ser lido, seja mais um passo em direção a maturidade desse assunto. Eu recomendo a leitura dele 💛

Autor: Danilo Leonardi
Editora: Giz Editorial
Ano: 2014
Páginas: 206
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@linelanis