Julho 2017 - Barricada de Livros

domingo, 16 de julho de 2017

Carros 3
julho 16, 20170 Comments

E eis que 6 anos depois do lançamento do segundo filme da franquia, o famoso carro de corrida Relâmpago McQueen (ou para os íntimos, Relâmpago Marquinhos) volta para o seu terceiro filme. Logo quando saiu o primeiro teaser dele eu já fiquei louca pelo longa. Filme infantil e o personagem principal capotando? Fiquei muito curiosa para saber o que tinha acontecido com aquele carrinho teimoso que conquistou toda a minha família.

Nesse filme, Relâmpago Marquinhos só consigo chamar ele assim agora desculpa já é um piloto veterano e se encontra agora no meio de vários estreantes que são mais rápidos e preparados do que ele. Depois do bendido acidente do teaser, ele acaba se afastando do esporte que tanto ama por um tempo. Com a ajuda do seu novo patrocinador (na verdade, novo dono do seu patrocinador), Relâmpago se prepara para sua volta com a sua treinadora Cruz Ramirez. Vamos começar por aí.

Algo que me ganhou demais nesse novo filme foi a Cruz Ramirez e uma outra personagem feminina menor, a Natália Certeza. Isso porque a Natália, por exemplo, aparece como uma especialista em um programa de TV e tipo assim pessoal, para uma franquia em que as notícias principais sobre os pilotos eram todos carros homens (e normalmente bem chatos) isso foi maravilhoso. Ela é super profissional quando tá ali pra fazer o seu trabalho. E a Cruz! Ela me ganhou logo que apareceu como uma fã assumida do Marquinhos e no seu treino com ele. Ela é super animada e quer realmente ajudá-lo, o que me deixa bem irritada já que Relâmpago é teimoso e nem tenta fazer o que ela propõe e se acha o sabichão. AAAAAH. Odeio ter que admitir que ele é chatinho as vezes, mas ele sempre aprende sua lição não é mesmo?

Relâmpago tenta ao máximo se segurar aos ensinamentos do Doc Hudson que teve um papel importante em sua vida. Isso o faz ir até a cidade em que Doc vivia para poder ter um tipo de ajuda com a própria pessoa que ensinou tudo que ele sabia. Cruz tem o papel de adversária de Relâmpago nos treinos, para que ele pudesse voltar preparado para derrotar os outros pilotos.


Apesar do foco ser Relâmpago, eu não pude deixar de notar um trabalho muito bem feito na história de Cruz. Ficamos sabendo que ela sonhava em ser uma piloto mas nunca teve muito apoio e por isso acabou desistindo da carreira antes mesmo de começar. Muito dessa falta de apoio é pelo fato de ela ser mulher. O QUÃO MARAVILHOSO É ISSO? Baita peso e responsabilidade levantar a questão do machismo no mercado de trabalho, isso acontece em tudo que é canto do mundo! Sem falar de que Cruz é oprimida pelo seu chefe e é obrigada a baixar a cabeça com seus gritos.

Como disse antes, a Cruz e a Natália foram os pontos chave para que eu entrasse de cabeça na história e amasse o que estava passando ali na minha frente. Quando o primeiro filme da franquia foi lançado eu me apaixonei pelo filme. Daquelas que tinham produtos deles sabem? Inclusive ainda tenho um Mate em miniatura aqui em casa. Bom, eu lembro como era difícil para mim, uma menina, gostar do filme que para a época era visto como voltado para o público masculino só por ser carros, pelo amor de Deus.

Nunca tinha percebido o quão ruim era não ter boas personagens femininas nessa franquia. Claro que a Sally, a Flo e a Lizzie estavam ali mas não de um jeito tão importante quanto o protagonista. O que eles fizeram nesse filme foi falar do Relâmpago mas também falar da Cruz. Aliás, ela é toda a razão para que Relâmpago consiga abrir os olhos e parar de ser egoísta e egocêntrico.

Em suma, esse terceiro filme me surpreendeu muito. Ainda mais quando a gente lembra de quão "méh" o segundo foi. E me orgulha muito dizer que dessa vez o público feminino é chamado para também aproveitar a história contada.


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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Log#1525
julho 05, 20170 Comments

O livro de hoje é um livro muito interessante e que me surpreendeu positivamente, isso porque: ele é uma ficção-científica nacional, o que eu nunca tinha tido contato antes e também pelo enredo e a forma de narrar que o autor usa. Mas eu ainda vou chegar nisso, primeiro vamos falar um pouco do autor.

B. Demetrius é formado em Comunicação Social pela PUC Minas. É diretor de arte, ilustrador, redator e escultor - especializado em design de personagens e monstros. Ele divide seu tempo entre seu trabalho como professor e a escrita. Ele é apaixonado por ciências, videogames, viagens espaciais e rock'n'roll desde a infância. Ou seja, ele escreve sobre o que ele ama. Maravilhoso, continue assim.

É difícil falar sobre Log#1525 sem que alguns spoilers acabem aparecendo. Assim, tudo o que vou dizer aqui não se encaixa no que eu considero um "spoiler", mas já deixarei avisado porque talvez pra você seja. A verdade é que o tema principal do livro pode ser várias coisas.... seria Log#1525 sobre um homem perdido num lugar estranho? Ou ainda sobre o isolamento e como isso é prejudicial para nós, seres sociais. Ou ainda sobre o estranho impulso de sobrevivência que nós carregamos em nossa natureza?

Em suma, é óbvio, o livro se trata de tudo isso. Mas acho interessante que de uma forma ou de outra, isso acaba sendo muito pessoal. E isso se encaixa com qualquer livro. O que o autor quis passar e contar em sua história conta muito, mas também acredito que a interpretação pessoal de cada leitor é de grande importância também. É praticamente impossível passar a mesma mensagem para todo mundo de forma eficiente. Mas a história é basicamente sobre Major, um astronauta brasileiro que desperta em um pequeno e frio planeta, isso depois de uma longa viagem espacial. Sem sinais de onde sua nave ou o resto da tripulação estão, Major se encontra completamente sozinho naquele planeta desconhecido e se vê obrigado a explorá-lo, isso movido a uma grande esperança de que talvez consiga voltar para casa.

Um ponto muito interessante é que apesar de estar sozinho, ao ler nós não sentimos muito desse grande desespero que o isolamento pode trazer e isso se deve ao fato de que Major possui um implante cerebral  B.O.R.I.S. que lhe oferece auxílio já que com isso ele pode ter acesso com o sistema de bordo da nave. Como o BORIS se comunica com nosso protagonista, e devido a não ter mais nenhum humano ali com ele, Major se agarra a sua única "companhia" e mantêm constantes conversas com o sistema.

São essas "conversas" que tiram um pouco do peso do livro. Apesar de eu amar um drama forte e pesado (Deus sabe que eu me apaixonei por Precisamos Falar Sobre o Kevin), eu entendo que foi uma decisão inteligente deixar o clima mais leve na maior parte do tempo, mas sendo sincera eu com certeza teria adorado mais ainda se fosse uma leitura que me fizesse passar mal lendo masoquista eu? mas claro, isso é muito pessoal. E talvez seja a psicóloga em mim falando já que é um tema que eu amo muito.

O isolamento de Major nos faz pensar se o que nós estamos lendo aconteceu de fato. No início do livro eu até fiz algumas teorias loucas do tipo, que ele estava dormindo e tudo aquilo fosse sonho. Há várias passagens em que ele jura de pé junto que ouviu algo mas o sistema em seu cérebro não capta nada. Aliás, lembrei de outra teoria: nessa o B.O.R.I.S. era um sistema maligno que tinha como objetivo destruir Major e dominar seu corpo. Essa é mais interessante, eu acho.

O livro é separado em 15 lotes de dados em que em cada um deles há um tanto de registros nomeados de Logs. E devo dizer que isso a princípio me chamou muita atenção, se você já lê meu blog provavelmente já sabe que eu amo capítulos curtos então ao ver a narrativa feita de forma curta dessa forma, eu fiquei muito feliz. Mas conforme fui lendo eu senti falta da forma tradicional de separação em capítulos. Deixo claro que esse tipo de estrutura é muito bem bolada e faz total sentido por conta da história, isso porque esses logs que nós temos em mãos são os registros de Major então ele não nos conta tudo como num livro comum contaria. A história pessoal dele é bem vaga e seus registros são boa parte objetivos apenas para uma consulta futura. Sem contar que há logs que nós não temos acesso e por isso a história fica um pouco picada e aberta a interpretações.

Vi várias pessoas falando que a premissa é bem parecida com Perdido em Marte, eu não fui influenciada por isso já que nunca vi/li só posso falar que apesar de sentir falta de uma narração convencional (seria muito legal se tivesse alguns flashbacks do treinamento de Major, ou ainda algumas experiências com o Cão), foi uma experiência muito interessante para mim que tô entrando agora no mundo da ficção científica e ainda mais na ficção científica nacional.

O maravilhoso do B. Demetrius me presenteou com essa linda edição especial autografada, com várias coisinhas juntas como vocês podem ver pelas fotos, parabéns pelo livro e pela dedicação que você tem por ele. Fiquei muito feliz de você ter confiado seu filho, espero que eu não tenha te decepcionado! ✩

Espero que vocês tenham gostado da resenha de hoje, e parece que eu não dei nenhum spoiler! Deixei o link de onde vocês podem adquirir seu exemplar lá em cima e vou deixar aqui em baixo a página do B. Demetrius para vocês poderem acompanhar o trabalho dele também. Até mais pessoal!

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Autor: B. Demetrius
Editora: Chiado
Ano: 2017
Páginas: 288
Reading Time:

@linelanis