Agosto 2017 - Barricada de Livros

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Les Misérables - O Musical
agosto 14, 2017 5 Comments

Eu honestamente não sei bem como expressar o quão importante essa história é para mim. Estou a meses tentando compor esse texto. E isso porque Les Misérables é a porta de várias coisas que são extremamente importantes na minha vida. Apesar de não ser o primeiro musical que eu assisti isso se deve a High School Musical! e nem O musical que me fez me apaixonar pelo gênero quem leva o crédito é 'Cantando na Chuva' ele ainda tem um papel muito importante nessa minha caminhada entre os musicais. Ele foi o primeiro musical que me tocou de forma tão intensa que me fez mudar completamente, isso porque quando eu tive meu primeiro contato com essa história lá em 2012 pelo filme musical que tinha sido lançado, era uma época em que eu era fria de certa forma. Eu não chorava com nada e tinha essa ideia de que sentir era ruim e uma forma de fraqueza. Les Misérables aqueceu meu coração.

Além disso, essa história foi o primeiro contato que tive com os clássicos por livre e espontânea vontade, sem falar que a decisão do nome "Barricada de Livros" veio até mim pois eu estava escutando a música "Do You Hear the People Sing?" no momento em que comecei a pensar em que nome dar a esse projeto novo que queria começar e até agora tá sendo uma aventura e tanto (se quiser saber mais, é só clicar aqui). E agora esse ano ele foi meu primeiro contato com um musical no palco. Não que eu nunca tinha assistido a uma peça musical, mas ele foi a primeira grande produção entendem? Grande produção que me deixou encantada do início ao fim.

Fiquei sabendo que teríamos essa montagem logo depois de a T4F anunciou em sua página no facebook e desde então mina cabeça ficou só nisso. Não tinha certeza se iria ter a oportunidade de assistir e isso me matava por dentro! Mas eis que isso se tornou possível e eu consegui me acalmar um pouco. Bem pouco já que a partir disso eu tive que trabalhar com a minha ansiedade da data chegar, mas foi lindo ainda mais levando em consideração que foi no fim de semana logo depois das provas da faculdade.

Bem, o musical teve seu início com Alain BoublilClaude-Michel Schönberg que fizeram os textos e as músicas respetivamente e em 1980 foi lançado um álbum com as músicas já prontas, nesse mesmo ano a versão teatral foi produzida em Paris, a peça foi um sucesso entre o público francês mas ficou em cartaz por apenas três meses. E eis que em 1982 o produtor Cameron Mackintosh entra em contato com o álbum francês e em 1985 a versão inglesa estreia em Londres. A crítica foi bem negativa com o espetáculo mas o público amou e deu no que deu! Les Misérables já é um adulto de 30 e tantos anos e continua firme e forte.


Les Misérables se passa no século 19 e possui várias histórias em seu enredo, eu particularmente não consigo apontar um protagonista. É claro que há um foco maior em Jean Valjean, principalmente no livro. mas no musical isso fica mais difícil de ser apontado pois há um grande foco em todos os personagens que vemos. Cada um tem seu tempo para nos contar sua história. Em suma: é uma história de esperança, de amor e de medos. Gosto de pensar Les Misérables como a obra mais humana que eu conheço. Apesar dos exageros que possui, pelo fato de ser baseado num livro também do século 19. Mas não vou me alongar nisso aqui, na resenha do livro eu farei isso.

Como disse antes, Les Mis aqueceu meu coração que antes era frio. Não foi de uma vez, precisei rever umas duas ou três vezes para notar o tamanho da história que estava ali na minha frente. Mas desde que isso aconteceu, não há uma única vez que eu não me emocione quando revejo essa história tão bem estruturada. Para se ter uma ideia, assim que as luzes se apagaram eu comecei a sentir a taquicardia começando e as lágrimas vindo e eu desabei no momento em que a orquestra começou a tocar. Pra resumir: eu assisti aos soluços. Tenho certeza que a senhora que estava ao meu lado me odeia! Ela não parava de me olhar como se falasse "se controle garota!". Eu tentei, não queria chorar no meio de pessoas estranhas mas chorei SIM.

Mesmo que eu tenha tentado me enganar dizendo que seria algo normal e sem muito importância, eu sabia da verdade não é mesmo? Assistir Les Mis no teatro é um sonho que se tornou realidade e isso não saia da minha cabeça em nenhum momento. Por alguns momentos eu pensava: "isso tá mesmo acontecendo?" e acho que a ficha só caiu mesmo quando chegou o intervalo e que notei que precisa ir ao banheiro imediatamente, naquele breve momento em que fiquei sozinha eu notei que sim, estava acontecendo!

Les Mis é feito de forma direta e ágil e dessa forma você nem percebe o tempo passar, e tédio é algo que passa longe do teatro, a não ser que você não seja fã de musicais e mesmo assim acredito que o tédio não irá te visitar. O que torna o musical tão acessível ao público é o fato de que sua história é universal mesmo sendo ambientada e tendo pano de fundo a França e seus problemas da época narrada. Há Jean Valjeans, Javerts e Fantines em todos os lugares do mundo. Assim como os problemas com a nossa sociedade não somem por completo conforme os anos vão se passando.

Esse foi o melhor espetáculo que eu já tive a oportunidade de assistir, como eu nunca tinha visto nada desse porte eu não tinha tantas expectativas ao entrar no teatro. Sabia que seria ótimo, mas foi muito além do que eu conseguia imaginar. Como eu estava acostumada com o filme e as músicas em inglês, o que mais me deixou com medo foi me deparar com versões que não me agradasse, mas felizmente as versões são muito bem feitas e fiquei bem feliz com o quão fiel o resultado ficou. Outra coisa que me assustou foi não entender uma palavra de Jean Valjean, isso porque o ator que o interpreta (Daniel Diges) é espanhol e devo dizer que fiquei surpresa em entender tudo bem mesmo com o seu forte sotaque.

E só mais coisinha quase irrelevante: Em todo o momento desde o anúncio eu não conseguia parar de pensar em como eles fariam para encaixar o '24601' na versão em português e quando vi Daniel no figurino que trazia o número '23623' e eu cantei o número e deu certo eu fiquei mais tranquila com o que estava por vir. Faz sentido? Talvez não, mas tamo aí. Mesmo eu sendo super suspeita para falar, eu recomendo demais o espetáculo! Se você é fã de musicais ou mesmo de teatro no geral, tenho certeza que vocês não vai se arrepender. Eu não me arrependo e daria de tudo para ver de novo. 💛

Deixo vocês agora com o trailer da peça e a música "Só Mais Um" (One Day More)

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sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Uma História Simples
agosto 11, 20170 Comments


Recebi meu exemplar de Uma História Simples devido a parceria de ação do Grupo Editorial Record. Foi do nada, eu estava atrasada para um compromisso e entre a correria de terminar o que eu estava fazendo, trocar de roupa e pegar um livro para me acompanhar o carteiro bate palmas e grita em frente ao meu portão. Vou correndo atendê-lo, sem poder perder tempo e resolvo abrir o pacote pois eu não conseguiria não saber o que havia chegado. E eis que me encontro com esse pequeno livro com uma capa bonita e com cores que eu amo. Decido levá-lo comigo.

Melhor decisão.

Sinto que eu precisava dessa leitura e parece que foi destino já que meu compromisso era aula de dança e o livro é sobre dança. Não danço malambo mas pude saborear os sentimentos narrados de forma mais intensa. E de quebra descobri sobre uma dança que eu não fazia ideia da existência. Na verdade eu já tinha visto homens vestidos com os figurinos mas não sabia de onde era. Mas, o que é o malambo?
"O malambo consiste na competição entre homens que se revezam no sapateado ao ritmo da música e requer grande habilidade técnica e prepara físico descomunal para ser executado. Entre dois e cinco minutos de apresentação, acompanhado de uma guitarra e um bumbo, o dançarino atinge uma velocidade que demanda destreza e a resistência de um corredor de cem metros rasos."
Em 2011 Leila Guerriero, uma jornalista argentina, foi até Laborde para contar a história de uma competição que acontece anualmente desde 1966: o Festival Nacional de Malambo de Laborde. Esse festival é ao mesmo tempo secreta e prestigiada e dura seis dias e coroa um homem que adquire a aura de herói perante o mundo do malambo. Mas há um porém, ao mesmo tempo que ser campeão de Laborde é seu ápice como dançarino ele também é seu fim. Isso porque o festival é tão prestigiado e adorado que para manter esse prestígio intocável, o campeão não participa de mais nenhum outro festival naquela mesma categoria.

Com a sutileza de uma narradora em primeira pessoa que está ali apenas pra observar e contar o que vê, Leila transmite para seus leitores a energia que permeia aquela pequena cidade nos dias de festival. O que encontramos ali são pessoas completamente apaixonadas pelo que faz, é possível sentir esse paixão passar a página a cada palavra e detalhe narrado. Os homens que ali competem são humildes e que gastam tudo o que tem para pagar aulas, treinadores, figurino e acessórios e transporte apenas para chegar ali e dançar seu malambo. É algo completamente impressionante.

O que mais impressiona é o apoio que esses homens possuem de suas famílias. Isso me choca pois na minha realidade quando alguém diz que quer percorrer seus sonhos artísticos (seja dança, teatro ou até mesmo literatura) os primeiros a dizer que não vai dar certo é justamente a família. E eu vivo em uma situação bem diferente desses homens. É lindo ver que mesmo que seus filhos passem dificuldade e lutem a vida toda para ser o campeão de Laborde, sua famílias apoiam. Claro, isso talvez seja porque no fundo todos possuem a fé que tudo vai melhorar assim que seu filho ou marido ganhar o competição. E de fato melhora. Ao conseguir ser campeão, além de toda a glória seus trabalhos começam a valer muito mais.

Há até um homem que sua história me interessou bastante pois para conseguir trabalhar e pagar sua preparação para a competição, teve que abandonar a faculdade de Antropologia. Ele explica que a faculdade estará ali para sempre mas a chance de competir em Laborde não. É mais que claro que aqueles homens fazem aquilo quase que exclusivamente por amor. E só quem tem a oportunidade de fazer o que ama sabe como é isso. Não posso explicar em palavras a felicidade que subir em um palco me traz. Sentir as luzes acima de mim iluminando meu corpo, o público ali na expectativa de ver o que eu tenho preparado. Como meu antigo professor de teatro dizia e eu concordo nada satisfaz mais do que os aplausos animados da platéia logo após ver você dar o melhor de si ali em cima.

Leila depois de um momento começa a focar seu livro em apenas um homem: Rodolfo González Alcántara. Ele acaba sendo vice-campeão de 2011 e volta a se apresentar em 2012, conseguindo o tão esperado título de campeão. Não sei nem o que dizer além de: esse livro é um dos melhores que li esse ano e sou grata por ter tido a oportunidade de tê-lo em minhas mãos. Como Mario Vargas Llosa diz sobre esse livro "Trabalho rigoroso, investigação exaustiva e um estilo de precisão matemática."

Autora: Leila Guerriero
Tradução: Rachel Gutiérrez
Editora: Bertrand Brasil
Ano: 2017
Páginas: 100

livro recebido em parceria com a editora
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quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Maldosas
agosto 09, 20171 Comments

Eu tenho certos problemas em começar séries, ainda mais as longas como Pretty Little Liars. Desde do fim de Harry Potter tem sido assim, eu li Divergente mas são só 4 livros entende? Bom, foi por isso que sempre tive certo receio em começar Maldosas. Pra ser sincera, eu não tinha muito interesse já que eu assistia a série. Mas depois de toda a decepção, eu resolvi finalmente dar uma chance.

Esse primeiro volume é praticamente o piloto de Pretty Little Liars o que é curioso para quem só assiste a série. Apesar de ser apenas o piloto, ele possui várias memórias de como era a amizade de Alison com as meninas. No prólogo, a história é começada nos contando um pouco da amizade das cinco e termina com o sumiço de Alison. Com o mesmo esquema da série, elas tem uma "festa" no celeiro da casa de Spencer e no meio da noite elas notam que Alison se foi. E nunca mais ouvem falar dela. Três anos se passam e nosso livro começa realmente.

Como é uma série longa, esse primeiro livro funciona mais como uma grande introdução do que está por vir. Agora que a amiga e líder do grupo está desaparecida e anos se passaram, as quatro garotas não são mais aquelas amigas de antes e por isso o livro é muito separado. Cada capítulo é dedicado a uma personagem e uma situação, dificilmente você vê elas interagindo uma com a outra. Entre seus dilemas adolescentes e meio adultos, que envolvem sexualidade e amadurecimento perante a vida, as quatro garotas começam a receber mensagens de uma pessoa anonima que assina como "A". Sendo segredos que apenas Alison sabia, elas logo desconfiam que tudo aquilo é uma brincadeira da antiga amiga e que o sumiço faz parte desse plano. Até que um corpo aparece.

Para quem viu a série, esse livro não é uma surpresa já que o piloto é até fiel aos acontecimentos aqui narrados. Sara Shepard tem uma narrativa cativante e te prende do início ao fim, e isso vem de alguém que sabe muitas coisas que vão acontecer. Li o livro praticamente em um dia e só não comecei o segundo volume porque já estou lendo outros e ficaria muita coisa para ler! haha

Uma coisa que me chama muito atenção nessa história e que eu espero que seja bem trabalhada mais pra frente é sobre amizades tóxicas. Acho que não é segredo de que Alison é uma péssima amiga. As garotas sabem disso mas continuam sendo suas amigas ou porque dessa forma elas conseguem o título de "popular" ou por chantagem da própria Alison. Como o livro nos fala, Ali dizia que eram os segredos que mantinham as cinco unidas. Mas na verdade isso era conversa pra ela se safar.


O livro é cheio de questões interessantes de serem pensadas e discutidas. Hanna por exemplo, sempre foi gordinha e Alison a fazia sentir horrível por isso o que a fez desenvolver um problema alimentar. Aria se envolve com um homem mais velho, entendo que eles tenham se conhecido antes de saberem mas é dever dele como adulto cortar isso e ele não faz. Emily é a filha perfeita mas que acaba se cansando de tentar ser perfeita sempre e descobre sentimentos amorosos pela sua nova amiga Maya, sem contar do preconceito da sua mãe já que Maya é negra. Spencer vive em competição com a irmã e isso é alimentado por sua família e quando ela acaba se pegando com o noivo de Melissa, a família esquece que ela não se beijou sozinha e joga a culpa toda nela.

Em suma, eu adorei o livro!
Mesmo tendo todo um clima que eu não acho legal, garotas contra garotas, acredito que a série acabe amadurecendo conforme for passando. Assim eu espero.
De qualquer forma, adorei ter finalmente começado e não vejo a hora de ler mais!

Série: Pretty Little Liars #1
Autora: Sara Shepard
Tradução: Fal Azevedo 
Editora: Rocco Jovens Leitores
Ano: 2010
Páginas: 296
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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Buffy the Vampire Slayer
agosto 01, 20170 Comments


Buffy foi uma das primeiras séries que comecei a acompanhar de fato, isso porque minha tia e prima são fãs e eu sempre escutei falar sobre ela. Até que um dia eu resolvi assistir. Falhei horrivelmente por anos já que eu nunca conseguia passar da 4ª temporada. Verdade seja dita, essa é a mais chatinha de todas mas talvez seja porque eu não estava preparada naquele momento. Acredito que sempre há um tempo certo para você ver ou ler alguma coisa. Seja pela idade e/ou experiências de vida.

Importante é que eu nunca desisti e nesse ano eu recomecei e finalmente terminei. Tive um empurrão da Netflix que tirou a série do catálogo dela e eu acabei vendo tudo direto na pressa pois eu tinha um prazo. E por ter um prazo, eu pulei a 4ª temporada pois já tinha visto ela umas 2 ou 3 vezes e eu não tinha tempo a perder. Bom, fico feliz de ter finalizado a série esse ano já que em 2017 a série fez 20 anos de vida!

Mas qual a história? Vou primeiro citar a primeiro coisa que escutamos em todos os episódios da primeira temporada: "Em cada geração há uma escolhida. Ela sozinha irá enfrentar vampiros, demônios e as forças do mal. Ela é a Caçadora."
Basicamente quando uma Caçadora morre, outra Caçadora é chamada para seu trabalho do destino. A série tem início depois dos acontecimentos do filme de 1992 mesmo não seguindo realmente o que é mostrado nele (fiz post sobre o filme também, clique aqui para ler), Buffy se muda para Sunnydale depois de ser expulsa de sua antiga escola por ter colocado fogo no ginásio. Mas para o azar dela, ela se muda justamente para a Boca do Inferno ou seja, ali há MUITOS MONSTROS!!

O que faz Buffy ser tão importante para mim é que mesmo sendo criada por um homem a série é bem feminista e mostra que as mulheres são sim fortes e poderosas. Começando pelo óbvio, a protagonista  — adolescente, mulher, líder de torcida aparentemente fraca e indefesa  —  mas que na verdade é a heroína da história e que salva todo mundo o tempo todo. Não sozinha, ela possui ajuda de seu Sentinela, Giles e seus dois amigos, Willow e Xander e eventualmente de Cordelia, Anya e Tara. É interessante observar que apesar de ter sim protagonistas masculinos eles acabam sendo mais secundários em questão de liderança. Giles é um homem inteligente e que não gosta de quebras as regras dos seus superiores, mas Buffy quebra e faz como quer porque no fim do dia é ela que tem que se arriscar toda noite e matar vampiros e monstros. Xander não é lá muito inteligente mas é sim muito útil, mas nem tanto assim já que ele é o mais fraco da turma toda.

Talvez eu esteja falando de um jeito que faça parecer que a série ridiculariza os homens, mas não. Também não posso negar que ela inverte um pouco os papeis que nós somos acostumados a ver em séries em filmes. E é isso que importa. É preciso ter essa representatividade feminina, até a Cordelia que é uma "donzela em perigo" consegue se proteger sozinha sem precisar de um homem cuidando dela o tempo todo.

A série segue uma grande metáfora da vida em sua história, inicialmente com a convivência escolar e depois com a vida propriamente dita. A ideia é pegar os problemas e horrores que há na vida e manifestar isso em monstros reais. O que deixa a coisa mais brilhante é que conforme Buffy cresce e amadurece é possível ver que há uma diminuída nesses monstros místicos e ela até enfrenta seres humanos que estão ali para fazerem o mal. GENIAL. O que mais vemos os personagens fazer é enfrentar seus monstros diariamente, seja um vampiro ou uma insegurança perante a sociedade, o que deixa mais fácil para quem está vendo conseguir se familiarizar com aquilo. Porque afinal, todos nós temos que enfrentar nossos próprios demônios durante toda a nossa vida e tendo apoio de pessoas certas, nós podemos enfrentar qualquer coisa.

Além disso, o que torna a série mais realista mesmo com toda a fantasia inserida no meio são os personagens que são tão bem construídos que é quase impossível não gostar deles. Mesmo cada um tendo uma característica dominante eles não caem no esteriótipo e se mostram muito mais e amadurecem a cada episódio. O maior exemplo é a Willow que começa a série sendo aquela garota nerd e sem graça aos olhos dos rapazes mas que termina a série sendo uma das — talvez até A  mais poderosas da turma toda. E essa construção tão profunda dos personagens também faz com que eles não se escondam atrás da protagonista principal — que querendo ou não, continua sendo a Buffy) — como é comum de se ver, os amigos ali apenas para ajudá-la e no fim não vemos ou sabemos muita coisa sobre eles. Mas em Buffy the Vampire Slayer todos são importantes.

Enquanto eu assista Buffy eu escutei muito um certo amigo dizer que a série era uma mistura de clichês mas discordo, ela tenta fugir disso o máximo que pode. Uma das coisas que ele mais foge é do amor perfeito. É tão comum ver por aí histórias de amor que não tem um pingo de problemas ou se tem é tão facilmente superado que até dá sono. A vida real não é assim! Em qualquer tipo de relacionamento há diversos problemas e sendo realista, as vezes é tão difícil superar que isso compromete a relação. E em Buffy, todos os relacionamentos que são apresentados passam por grandes problemas e pra ter mais noção do que tô falando eles não acabam bem. Nenhum deles permanecem para sempre com seus parceiros.

Muitos podem não levar a história a sério, o que me deixa muito triste. Claro, há episódios que não são todos que vão gostar como o episódio musical da 6ª temporada ou ainda o episódio mudo da 4ª temporada, sem falar dos efeitos que obviamente não são lá aquelas coisas a série é de 1997 pessoal, tem que lembrar disso mas para mim isso tudo é balela. Como sempre digo, é preciso ver para falar alguma coisa. Até eu que sou apaixonada achava algumas coisas bestas, mas novamente: 1997! Sim, é uma série feminista e importante mas já se passaram 20 anos então claro que vão ter coisas que não vão ser tão legais hoje em dia, em todos os sentidos.

O que é preciso ser lembrado é que Buffy the Vampire Slayer é muito mais que uma série de fantasia ou um drama adolescente, é uma série sobre a vida, amadurecimento, amizade e amor. Com pitadas de comédia e muito drama real em que te faz chorar constantemente (fiquei desolada e desidratada na series finale!). Não sei se consegui ser clara, mas para mim é a melhor série que alguém pode assistir e eu espero que você dê uma chance!

*Nota: em comemoração dos 20 anos de Buffy, a Entertainment Weekly fez um ensaio lindíssimo com o elenco, olhem só que amor 💛

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@linelanis