2018 - Barricada de Livros

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Menina Má
agosto 13, 20180 Comments
Menina Má foi lançado originalmente em 1954 e se tornou um sucesso rapidamente, foi tanto sucesso que se transformou em uma peça nos palcos da Broadway e ainda uma adaptação cinematográfica que recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo o de melhor atriz para Patty McComarck, que interpretou a garotinha da história.

A narrativa gira em torno de um mistério. 
Rhoda é uma linda garotinha de 8 anos de idade e que é amada pelas pessoas mais velhas que a conhecem. A família é nova ali naquela cidade e a garota mora com a mãe e o pai que vive ausente por conta do trabalho. O mistério começa quando em um passeio escolar, um colega de Rhoda morre afogado em um lago e ninguém sabe o que aconteceu. O que deixa a mãe de Rhoda atormentada é o fato de esse mesmo garotinho ter ganhado uma medalha de caligrafia que sua filha tanto queria, sem contar que essa mesma medalha não foi encontrada junto do corpo. A criança age de forma extremamente fria a esse acontecimento, o que assusta sua mãe.

A sra. Penmark começa a desconfiar da própria filha e começa a fazer investigações sobre assassinos e desenterra seu passado em busca de respostas. A grande questão que o livro nos traz é: "Será a maldade uma espécie de semente que carregamos dentro de nós, capaz de brotar na mais adorável das crianças?"

Vou começar dizendo que apesar de esse assunto e essa questão em especial ser de interesse da grande maioria, minha leitura não teve tanto impacto quanto teria se eu me identificasse nesse grupo. Apesar de amar histórias de assassinos e de discutir sobre a maldade em si, a abordagem de March é extremamente freudiana e eu meio que odeio Freud. Acredite, é difícil dizer isso! Sempre achei que seguiria a psicanálise (pra quem não sabe, eu faço psicologia) mas tudo mudou quando eu tive contato com o Behaviorismo, o pior é que só fui notar como amava Behaviorismo agora que tô estudando Freud ou seja, se eu lesse esse livro a um ano atrás eu provavelmente teria uma opinião TOTALMENTE diferente. E isso é incrível!


Bom, por conta disso o livro acabou sendo bem chatinho para mim. Isso porque eu não acredito mais que maldade tenha origem orgânica da forma que March nos apresenta e o desenvolvimento da história, conforme a sra. Penmark vai sabendo cada vez mais do seu passado, me pareceu extremamente boba. Mas talvez não seja totalmente culpa da explicação em si, para ser bem sincera eu também não morri de amores pela narrativa em si.

March conta a história de forma lenta e repetitiva e há passagens que me parecem desconexas com o enredo em si, e mesmo que haja sim sentido para certos acontecimentos eles me deixaram entediada. Não senti medo de Rhoda, ela me pareceu mais uma criança mal criada do que uma assassina. Como se os assassinatos fossem simples birras. E sem querer ser chata, vi coisas no ambiente dela que poderia ser uma explicação mais lógica do que a semente maligna.

Para um livro que diz que é polêmico, violento e assustador, eu não fiquei tão chocada assim. Considerando o ano em que foi publicado, ele pode mesmo ter sido considerado como tal, mas agora em 2018 isso não rola comigo. Mas pode ser só comigo, eu tentei o meu melhor encarar o livro com a mente aberta mas é óbvio que o fato de eu discordar com a proposta teve um efeito negativo na narrativa. E é por isso que eu venho bater na tecla novamente: tirem suas próprias conclusões. Nós discordamos de nós mesmos! Pode ser que daqui a 5 anos eu leia novamente e pense que eu só falei besteira nesse post. E tudo bem! É um dos motivos de eu amar o ser humano.

Em suma, minha relação com o livro de March é de amor e ódio. Não consigo escolher se eu gostei apesar de não concordar ou se odiei pela narrativa não ter sido forte como eu esperava. Mas como tudo na vida tem pontos positivos e negativos, o livro não foi diferente. Acredito que vale a pena a experiência independente se você concorda ou não com a existência de uma "semente do mal".

Autor: William March
Tradução: Simone Campos
Editora: DarkSide Books
Ano: 2016
Páginas: 272
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segunda-feira, 7 de maio de 2018

A Febre
maio 07, 20180 Comments
Segundo Gillian Flynn, é um romance "sombrio, perturbador e estranhamente fascinante." Foi por causa dessas palavras que eu resolvi comprar meu exemplar, isso sem nem ao menos ter lido Gillian Flynn. Confiei cegamente, levando em consideração a palavra de uma escritora que eu não conhecia de fato e só conhecia sua fama...não me arrependi.

O livro conta a história de uma pequena cidade chamada Dryden, em uma manhã comum Lise cai no chão repentinamente em sua classe de aula e tem convulsões sem motivo aparente. Sua amiga Deenie que estava próxima a ela, junto com seu colegas, ficam em desespero sem saber como lidar com aquilo. Logo no dia seguinte outra amiga de Deenie, Gabby, tem um ataque misterioso em uma apresentação na escola. Esses eventos traumáticos e sem explicação afeta toda a cidade depois que várias outras garotas começam a ter diversos sintomas sem motivo orgânico. Juntando o fato de não saberem a origem disso e o desespero que se arrasta por toda a cidade, as suspeitas se dividem entre um possível vírus, a vacina de HPV que as meninas tomaram recentemente e o misterioso lago da cidade que carrega uma história sombria. 

O livro de Megan Abbott é um exemplo muito bem construído de histeria coletiva, foi baseado num evento real que aconteceu em Nova York em 2012 e tem uma atmosfera quase fantasmagórica. Apesar de ter sim uma suspeita mais sobrenatural a narrativa é real em todas as páginas. Não é uma ficção fantasiosa, é a vida real acontecendo e sendo assustadora sem precisar de seres do além que nós não conseguimos entender. Na verdade, me arrisco a dizer que o fato de nós eventualmente nos deixarmos levar a uma explicação sobrenatural quando não temos respostas concretas sobre os mistérios da vida, me faz pensar o quanto nós não sabemos lidar com a realidade ao nosso redor.


A narrativa em 3ª pessoa separada em três diferentes pontos de vista é o ponto principal para que nós leitores fiquemos instigados a saber cada vez mais sobre o que está acontecendo. O narrador não se prolonga em cada visão, cortando justamente nos momentos em que uma informação importante está prestes a ser revelada e retornando naquele acontecimento páginas depois. Isso prende o leitor que fica a mercê de poucas informações. É como se o narrador falasse "calma, pequeno gafanhoto" constantemente para você. E para mim, isso foi excelente.

Apesar de ter um ritmo bem mais lento por isso, essa forma de narrar nos obriga a pensar em cada detalhe e não simplesmente "engolir" informações sem nem ao menos fazer pequenas ligações no que tá acontecendo. É fascinante a construção de cada pessoa que aparece, como vamos descobrindo um pouco mais de quem ela sem nenhuma pressa, o que ajuda a acalmar o sentimento de desespero que a gente acaba sentindo junto dos moradores daquela cidade. Talvez não agrade a todos, mas com certeza é uma forma inteligente de ganhar o leitor.

"A Febre" é muito mais do que um livro adolescente. É um suspense de qualidade que me deixou surpresa a cada novo capítulo, coisa que eu não achei que aconteceria pois comecei a leitura com um pouco de preconceito. Como é bom descobrir que você estava errada e achar mais uma autora para admirar. E se Gillian Flynn for tão boa quanto Megan Abbott consegue ser em sua narrativa, eu vou ficar extremamente feliz!

Autora: Megan Abbott
Tradução: Cássia Zanon
Editora: Intrínseca
Ano: 2015
Páginas: 272
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terça-feira, 27 de março de 2018

Me Chame Pelo Seu Nome
março 27, 20180 Comments

Eu não costumo ser o tipo de pessoa que segue os hypes, independentemente do que sejam: filmes, séries, livros etc. Eu sou uma pessoa do meu próprio mundo e nunca me forço a fazer nada só porque várias pessoas me falam para fazer, assim como eu não deixo opiniões alheias definirem se eu vou ou não fazer alguma coisa. É por isso que eu bato tanto na tecla de que é preciso ter sua própria experiência para falar de algo, independente do que seja.

Não sei explicar muito bem o motivo que me fez querer ler Me Chame Pelo Seu Nome no meio do hype que ele está tendo graças a sua adaptação para o cinema que conseguiu 4 indicações ao Oscar (e ganhou a estatueta de melhor roteiro adaptado!), eu nem ao menos tinha me interessado pela história mas isso porque a primeira vez que fiquei sabendo dele me passaram informações precipitadas e eu achei perturbador e não quis ter contato. Mas ao saber realmente sobre o que era eu logo fiquei curiosa. Então vou aproveitar pra bater mais uma vez na tecla: pesquisem antes de sair julgando! Eu fiz isso e fiquei triste de não ter me interessado antes.

O livro se passa em algum lugar na Itália e nosso narrador é um Élio mais velho nos contando sobre um verão lá nos anos 80 que foi marcante em sua vida. Notamos desde o início como ele tem um afeto muito grande por aqueles meses e toda sua narrativa é contada nos passando essa sensação de nostalgia. Seu verão foi marcado por uma paixão arrebatadora que ele sente por Oliver, um jovem escritor norte-americano que está ali para acompanhar o processo de tradução do seu livro sobre Heráclito e vai se hospedar em sua casa. O pai de Élio é um acadêmico e todo verão cede sua casa para hospedar algum outro estudioso que tenha interesse em passar as férias naquele pequeno paraíso, isso tudo de graça e a única exigência é que o hóspede dedique uma hora para ajudá-lo com as correspondências e papelada em geral.

Élio começa seu verão já de saco cheio e nada animado em ter que ceder seu quarto para mais um chato que vai ficar ali por seis longas semanas. Mas logo percebemos que o que acontece é aquela clássica jogada da nossa cabeça em que nós fingimos odiar aquela pessoa que nos atrai. Élio fica obcecado por Oliver logo de cara, isso é óbvio para nós, mas ele passa as primeira páginas tentando entender onde foi que essa paixão teve início.

"Mas talvez tenha começado bem mais tarde do que acredito, sem que eu percebesse. Você vê a pessoa mas não a enxerga de verdade, ela simplesmente está por ali. Ou até enxerga, mas nada bate, nada 'chama a atenção' e, antes mesmo que você perceba uma presença ou algo incômodo, as seis semanas que lhe foram oferecidas já passaram e a pessoa já foi embora ou está prestes a ir, e você fica lutando para aceitar algo que, sem que você soubesse, vinha ganhando forma bem debaixo do seu nariz, trazendo consigo todos os sintomas daquilo que só pode ser chamado de desejo. Como eu não percebi? Você se pergunta. Sei reconhecer o desejo — desta vez, no entanto, tinha passado completamente despercebido. Eu me saía com meu sorriso misterioso, que fazia o rosto dele se iluminar toda vez que lia meus pensamentos, mas tudo que eu queria era pele, apenas pele." (pág. 15)

Élio vê Oliver e sua atração por ele é gigantesca e sua vontade de o ter para si é tão grande que beira a obsessão. O que pode até parecer assustador falando assim, mas se nós refletirmos um pouco é exatamente o que acontece quando nós nos apaixonamos por alguém. Você quer saber cada pequeno detalhe físico e psicológico do outro, quer saber cada passo e até queremos nos tornar aquela pessoa de tão incrível que ela nos parece. É isso que o livro nos passa em cada página, parágrafo e palavra. É como se estivéssemos escutando um amigo nos falar sobre aquela pessoa que ele está afim e mesmo que nós mesmos não conseguimos enxergar o que ela tem de tão especial, nosso amigo se empolga e os olhos brilham só de pensar naquela pessoa em que ele tanto gosta.


Inclusive, acho legal falar que eu estou nessa posição nesse momento. Toda vez que vou falar sobre esse livro com alguém eu fico extremamente feliz e arrepio quando leio alguma passagem que eu marquei. E embora muitos amigos não entendam o porquê de eu ter gostado tanto, pra mim esse é um dos melhores livros que eu já li em toda a minha vida e eu não consigo imaginar minha vida sem essa história e nem ao menos queria que ela acabasse. Se esse sentimento já é forte com uma história, imagina o quão forte é esse sentimento para o Élio?

"Mas eu não enganava a mim mesmo. Estava convencido de que ninguém no mundo o desejava de modo tão primitivo quanto eu; de que ninguém estava disposto a ir até onde eu iria por ele. Ninguém tinha estudado cada osso do seu corpo, tornozelos, joelhos, pulsos, dedos das mãos e dos pés, ninguém desejava cada contração muscular, ninguém o levava para cama todas as noites e, ao vê-lo de manhã deitado em seu paraíso à beira da piscina, sorria para ele, via o sorriso vir a seus lábios e pensava. Sabia que eu gozei na sua boca ontem a noite?" (pág. 50)

Todo o objetivo da história de Me Chame Pelo Seu Nome, reforçada pelo presente trabalho de Oliver, é a mensagem que Heráclito passava de que tudo flui e nada permanece o mesmo. É uma história de primeira paixão, aquele sentimento arrebatador e que, infelizmente, tem seu fim. Afinal, tudo acaba. E como Heráclito também diz, nós nunca vamos entrar no mesmo rio duas vezes. E com isso eu quero compartilhar uma reflexão e uma visão pessoal que condiz com o discurso tocante do pai de Élio no fim do livro: Pra mim, não existe apenas uma primeira paixão. Somos cheios de primeiras vezes e eu acredito que seja um desperdício encaixar apenas uma situação como a primeira. Um exemplo que eu gosto muito de falar para as pessoas é sobre meus primeiros beijos. Eu adoro pensar em todos os primeiros beijos com pessoas diferentes como o meu primeiro beijo "oficial", eles são especiais de formas diferentes e eu guardo cada um deles com o mesmo carinho.

Como Heráclito disse, eu não estou banhando no mesmo rio. Cada beijo, com cada pessoa diferente é um novo rio. Com a visão de desapego que temos na nossa sociedade hoje em dia, ser uma pessoa que sofre a cada pequeno rompimento é taxada como "trouxa" e eu sou uma delas com todo orgulho. Cada pequeno rompimento me machuca pois mesmo que breve, toda relação que eu tenho é importante. E como o pai de Élio aconselha a ele, é um desperdício arrancarmos tanto de nós e ter cada vez menos para oferecer a cada vez que iniciamos algo com alguém novo.

O livro me encantou logo no começo pela escrita de André Aciman que é tão poética, crua, sensual e verdadeira que literalmente me fez arrepiar. Mas ele me ganhou completamente por sintetizar tudo aquilo que eu acredito e que eu nunca fui capaz de explicar totalmente. A narrativa se localiza  inteiramente na cabeça conturbada e confusa de Élio, assim como a nossa quando estamos gostando de alguém e isso é incrível pois depois de anos lendo pensamentos muito bem organizados eu já estava ficando angustiada pois aqui dentro, na minha mente, é uma baita confusão. E é tão bom se identificar 100% com o personagem que você está acompanhando!

É legal comentar que ambos os personagens são bissexuais, o que foi apontado pela Tatiany Leite do canal Vá ler um Livro e que eu mesma não tinha percebido, o que me trouxe toda uma reflexão sobre a invisibilidade de bissexuais. Eles são sempre esquecidos e são difíceis de serem levados a sério, as vezes até mesmo da própria comunidade, e isso se mostrou tão forte ao ser apontado para mim pois eu, que sou, não notei isso. É um tanto quanto preocupante, mas quando notei que isso estava sendo representado nesse livro tão magnífico eu me apaixonei ainda mais.

Para concluir peço que se você se interessou pelo livro, leia. Veja o filme também! Não importa a ordem, só vá conhecer essa história linda de amor entre duas pessoas. É um desperdício essa história  sobre o amor continuar escondida aqui no Brasil como ficou por tantos anos. Uma história de amor pura e sem complicações desnecessárias como nós somos levados a acreditar que precisa ter para ser verdadeiro. E mesmo que tenha eventuais complicações, nunca impeça que elas sejam obstáculos para sua própria história de amor. Como o próprio Élio nos diz em uma passagem: "...após todas aquelas semanas e todas as discussões e todos os conflitos que sempre me causavam arrepio, tudo que havíamos nos tornado eram duas línguas movendo-se na boca um do outro. Apenas duas línguas, o restante era conversa."

Autor: André Aciman
Tradução: Alessandra Esteche
Editora: Intrínseca
Ano: 2018
Páginas: 288
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quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Entre as Estrelas
fevereiro 07, 20180 Comments
Eu não sei se isso é um hábito normal já que nunca conheci ninguém que faça isso além de mim, mas quando eu vou começar uma leitura eu normalmente leio a última frase as vezes até o último parágrafo e só depois dou início ao livro. Não sei até que ponto isso é saudável para minha vida como leitora e comecei a repensar esse comportamento agora já que fazer isso com Entre as Estrelas estragou a minha experiência. Isso porque mesmo sendo só uma frase, ele já entregou tudo que aconteceria.

Mas tudo bem, vida que segue.

Entre as Estrelas conta a história de um amor impossível e se passa na Europa que depois da aniquilação dos Estados Unidos e Oriente Médio se torna uma utopia onde a cada três anos a população se muda para uma nova comunidade multicultural. Essa utopia prega o individualismo e reforça o comportamento de que o ser humano tem que ser um ser livre para fazer o que bem entender com ele mesmo, claro que lidando com as consequências.

Para que esse individualismo continue caminhando há uma lei muito importante que é a lei dos casais (se não to enganada com o nome), nela o sujeito é proibido de manter um relacionamento sério e formar uma família antes dos 35. Bem utópico mesmo, o sexo sem compromisso é super valorizado e ninguém te julga por fazer isso. Mas apesar dessa visão do livro, pra mim essa sociedade é na verdade uma distopia, e acredito que seja pessoal essa visão. Não sei qual foi a intenção da autora mas é interessante ver essa diferença de interpretação.

O que mais me chamou a atenção quando o livro chegou além da capa linda foi a premissa principal do livro: Carys e Max estão à deriva no espaço e possuem apenas 90 minutos de oxigênio e o livro começa exatamente nisso e vamos acompanhando o tempo se esgotando conforme os dois refletem e relembram momentos do complicado relacionamento deles. O mais interessante é que só descobrimos depois o motivo deles estarem ali, fora da Terra. E eu amei o motivo! Achei extremamente inteligente e super coerente devido as circunstâncias deles e do contexto em que vivem.


Enfim, me animei muito quando vi que o livro faria esse vai e vem no tempo. Tava atrás de referências assim em livros pois estou escrevendo uma história que faz exatamente a mesma coisa mas acabei tendo muitas dificuldades de continuar, não vou dizer que não me ajudou porque seria mentira. Só que me ajudou a ver o que eu não posso fazer isso porque logo depois de um tempo desse vai e vem tudo começou a ficar confuso e a leitura ficou cansativa para mim. E por isso e pelo fato de eu já saber como acabava que desanimei completamente da leitura e o abandonei por um tempinho. Voltei a ler quase que por obrigação mas me animei quando fui chegando no fim pois a autora insere nos capítulos finais uma reviravolta que não condizia com o fim e eu fiquei curiosa demais pra saber o que iria acontecer em seguida.

Em suma é um livro bem pensado, mas na minha opinião poderia ter sido melhor executado. O vai e vem no tempo sem marcações de quando era presente ou passado me deixou confusa em diversos momentos mas talvez tenha sido apenas produto de falta de atenção. E apesar da reviravolta no final ter me prendido e me feito animar novamente na leitura ela é um tanto desnecessária e também confusa logo no começo. Mas talvez isso tudo que me incomodou tenha sido por conta da tradução, talvez na língua original isso tudo fica bem melhor.

Mas acredito que tudo o que tenha me incomodado é bem mais pelo fato de que eu não sou tanto o público alvo dessa história. Eu sempre sei disso quando pego um livro assim, sou teimosa. Os livros me divertem quase sempre, normalmente são livros mais leves e fáceis mas quando paro pra refletir profundamente eu nunca me apaixono completamente. É meio triste, mas continuo na luta de voltar a ler mais livros young adult e gostar deles. Afinal, foi eles que me fizeram gostar de ler e gostaria muito de continuar acompanhando esse gênero.

Autora: Katie Khan
Tradução: Carolina Simmer
Editora: Bertrand Brasil
Ano: 2017
Páginas: 280
livro recebido em parceria com a editora
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quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

5 motivos para assistir One Tree Hill
janeiro 03, 20180 Comments

One Tree Hill é uma série de drama adolescente lançada em 2003 e que foi ao ar até 2012, totalizando 9 temporadas de puro drama que eu adoro!

Meu objetivo era fazer um texto falando sobre a série e como ela era importante para mim mas devido a atuais acontecimentos (que vou falar mais adiante) eu desanimei e quase desisti de fazer qualquer coisa sobre, mas querendo ou não ela é importante para a minha formação como pessoa e por isso eu resolvi não deixar passar em branco e vou listar alguns motivos para você assistir caso te interesse.

Bom, a história é um pouco enrolada e por isso tentarei ser breve ao falar sobre. A história segue a vida de Lucas Scott, um adolescente apaixonado por basquete e filho de Karen, que engravidou de Dan ainda adolescente. Dan engravidou Debbie na época em que namorava Karen e ao descobrir das duas gravidez ele escolheu ficar com Debbie pois sua família tinha dinheiro. Dessa forma, Lucas tem um meio irmão chamado Nathan. Dan e Nathan não possuem nenhum laço com Lucas e meio que o odeiam só por ele existir. Lucas sente muita raiva de Dan mas é feliz com sua mãe e seu tio Keith, irmão de Dan, que é como um pai para ele. Além de todo esse pessoal existem outros personagens importantes como a Haley, melhor amiga de Lucas e futuro interesse amoroso de Nathan; Peyton, a grande paixão de Lucas e Brooke, melhor amiga de Peyton que se apaixona por Lucas.

Parece uma grande novela mexicana não é mesmo? Talvez seja mesmo pois é recheado de drama que as vezes chega a ser absurdo! Mas enfim, vamos para os motivos.

1. Os personagens
Uma das coisas mais importantes em qualquer história é a construção de personagens. Não tem como uma história funcionar se os personagens forem rasos e/ou chatos e não interessantes. One Tree Hill não tem esse problema já que todos os personagens são muito bem pensados e são tão profundos e verdadeiros que não tem como você não gostar deles. Até aqueles que você deveria odiar pois são péssimas pessoas, é possível ver o desenvolvimento e crescimentos de todos durante o desenrolar da série.


2. As citações literárias
Lucas Scott é um leitor nato e apaixonado por literatura e por isso em boa parte dos episódios há uma citação de algum livro ou autor que é importante para o contexto do episódio. É uma boa forma de conhecer livros novos, sem falar que são sempre citações lindas e inspiradoras... o que nos leva para o próximo motivo.

3. Lições
A série é sobre crescimento. Acompanhamos um grupo de adolescentes crescer até virarem adultos formados e com família. Por isso há sempre uma liçãozinha a ser aprendida em todo o episódio, mesmo que seja alguma pequena. É legal prestar atenção nisso e talvez trazer para nossa vida.

4. Trilha Sonora
One Tree Hill vai ser provavelmente a série com a melhor trilha sonora que você vai ter contato. Não há uma música que não seja perfeita para a cena em que foi colocada. Também é uma ótima forma de conhecer bandas e cantores diferentes, considerando que boa parte dos artistas que aparecem são desconhecidos aqui no Brasil. Já vou adiantar dois pra vocês: Kate Voegele e Tyler Hilton. Só escutem! ;)

5. Naley (Nathan + Haley)
E por último mas não menos importante: Naley, o melhor casal das séries! O relacionamento deles tem início com Nathan querendo irritar Lucas mas ele não esperava que fosse realmente gostar da garota nerd da escola. O personagem de Nathan é o que mais cresce na série toda, ele começa como um garoto popular babaca e termina como o melhor pai/marido do mundo! Eles são os melhores personagens sozinhos e juntos. Se tem um deles em cena pode ter certeza que você vai se divertir.


EXTRA: Motivo para talvez não assistir

É complicado falar sobre One Tree Hill agora, isso porque ela é extremamente importante para mim e mesmo tentando ao máximo separar ela de seu criador, é difícil.

O que aconteceu foi que o criador da série, Mark Schwahn, foi um dos diversos homens acusados de assédios recentemente. Me deixa triste pensar que uma pessoa horrível que é capaz de abusar de jovens mulheres simplesmente porque tem esse poder pode ter criado uma série tão linda e inspiradora como One Tree Hill. Te faz pensar também que nada sabemos das pessoas e que a existência de coisas boas não significa que o mal não esteja ali.

É bem provável que eu nunca mais assista a série depois disso tudo. Eu não consigo não ver essa pessoa por trás das cenas inspiradoras e lindas que a série possui. Infelizmente One Tree Hill foi estragada para mim, mas espero que vocês consigam dar uma chance para ela. Ela pode te ajudar de alguma forma, mesmo que seja para lembrar que pessoas más também podem fazer coisas boas. É preciso ficar em alerta sempre.
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@linelanis