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13 agosto 2018

Menina Má, de William March (#50)

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Título Original: The Bad Seed
Autor: William March
Editora: DarkSide Books
Ano: 2016
Páginas: 272
Para saber mais: Skoob
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Sinopse: Quando nasce a maldade? Nascemos todos inocentes e somos corrompidos pelo mundo à nossa volta? Ou será a maldade uma espécie de semente que carregamos dentro de nós, capaz de brotar mesmo na mais adorável das crianças? Rhoda, a pequena malvada do título, é uma linda garotinha de 8 anos de idade. Mas quem vê a carinha de anjo, não suspeita do que ela é capaz. Seria ela a responsável pela morte de um coleguinha da escola? A indiferença da menina faz com que sua mãe, Christine, comece a investigar sobre crimes e psicopatas. Aos poucos, Christine consegue desvendar segredos terríveis sobre sua filha, e sobre o seu próprio passado também.


Menina Má foi lançado originalmente em 1954 e se tornou um sucesso rapidamente, foi tanto sucesso que se transformou em uma peça nos palcos da Broadway e ainda uma adaptação cinematográfica que recebeu quatro indicações ao Oscar, incluindo o de melhor atriz para Patty McComarck, que interpretou a garotinha da história.


A narrativa gira em torno de um mistério. 
Rhoda é uma linda garotinha de 8 anos de idade e que é amada pelas pessoas velhas que a conhecem. A família é nova ali naquela cidade e a garota mora com a mãe e o pai que vive ausente por conta do trabalho. O mistério começa quando em um passeio escolar, um colega de Rhoda morre afogado em um lago e ninguém sabe o que aconteceu. O que deixa a mãe de Rhoda atormentada é o fato de esse mesmo garotinho ter ganhado uma medalha de caligrafia que sua filha tanto queria, sem contar que essa mesma medalha não foi encontrada junto do corpo. Rhoda age de forma extremamente fria a esse acontecimento, o que assusta sua mãe.

A sra. Penmark começa a desconfiar da própria filha e começa a fazer investigações sobre assassinos e desenterra seu passado em busca de respostas. A grande questão que o livro nos traz é: "Será a maldade uma espécie de semente que carregamos dentro de nós, capaz de brotar na mais adorável das crianças?"

Vou começar dizendo que apesar de esse assunto e essa questão em especial ser de interesse da grande maioria, minha leitura não teve tanto impacto quanto teria se eu me identificasse nesse grupo. Apesar de amar histórias de assassinos e de discutir sobre a maldade em si, a abordagem de March é extremamente freudiana e eu meio que odeio Freud. Acredite, é difícil dizer isso! Sempre achei que seguiria a psicanálise (pra quem não sabe, eu faço psicologia) mas tudo mudou quando eu tive contato com o Behaviorismo, o pior é que só fui notar como amava Behaviorismo agora que tô estudando Freud ou seja, se eu lesse esse livro a um ano atrás eu provavelmente teria uma opinião TOTALMENTE diferente. E isso é incrível!


Bom, por conta disso o livro acabou sendo bem chatinho para mim. Isso porque eu não acredito mais que maldade tenha origem orgânica da forma que March nos apresenta e o desenvolvimento da história, conforme a sra. Penmark vai sabendo cada vez mais do seu passado, me pareceu extremamente boba. Mas talvez não seja totalmente culpa da explicação em si, para ser bem sincera eu também não morri de amores pela narrativa em si.

March conta a história de forma lenta e repetitiva e há passagens que me parecem desconexas com o enredo em si, e mesmo que haja sim sentido para certos acontecimentos eles me deixaram entediada. Não senti medo de Rhoda, ela me pareceu mais uma criança mal criada do que uma assassina. Como se os assassinatos fossem simples birras. E sem querer ser chata, vi coisas no ambiente dela que poderia ser uma explicação mais lógica do que a semente maligna.

Para um livro que diz que é polêmico, violento e assustador, eu não fiquei tão chocada assim. Considerando o ano em que foi publicado, ele pode mesmo ter sido considerado como tal, mas agora em 2018 isso não rola comigo. Mas pode ser só comigo, eu tentei o meu melhor encarar o livro com a mente aberta mas é óbvio que o fato de eu discordar com a proposta teve um efeito negativo na narrativa. E é por isso que eu venho bater na tecla novamente: tirem suas próprias conclusões. Nós discordamos de nós mesmos! Pode ser que daqui a 5 anos eu leia novamente e pense que eu só falei besteira nesse post. E tudo bem! É um dos motivos de eu amar o ser humano.

Em suma, minha relação com o livro de March é de amor e ódio. Não consigo escolher se eu gostei apesar de não concordar ou se odiei pela narrativa não ter sido forte como eu esperava. Mas como tudo na vida tem pontos positivos e negativos, o livro não foi diferente. Acredito que vale a pena a experiência independente se você concorda ou não com a existência de uma "semente do mal".

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