Scott Pilgrim


Como boa parte das pessoas que chegam até os quadrinhos de Scott Pilgrim, conheci a história por causa de sua adaptação para o cinema. Lembro de ter ficado completamente apaixonada pelo filme e ficar louca para ler as HQs. Algum tempo depois lá estava eu com o primeiro volume nas mãos mergulhando com o maior prazer no mundinho de Scott.

Diferente da versão original que possui 6 volumes, aqui no Brasil eles foram lançados em 3 volumes, cada um contendo dois da versão original. Eu particularmente não acho que isso mude alguma coisa, até gosto de ter eles em menor quantidade. De qualquer forma, sobre o que se trata Scott Pilgrim?

A história é meio doida: Scott Pilgrim é um jovem adulto que não tem nada da sua vida resolvido. Não tem emprego, divide uma kitnet minúscula com seu amigo Wallace (inclusive a mesma cama!) e anda meio traumatizado por conta de seu último relacionamento. Suas atividades incluem dormir e tocar numa banda péssima chamada Sex Bob-Omb. A grande novidade é que Scott começa a namorar Knives Chau, uma colegial de 17 anos, mas no meio desse relacionamento "seguro" ele conhece Ramona Flowers, uma estrangeira super diferentona e ele se apaixona rapidamente por ela. É uma novela só e para namorar Ramona, ele precisa derrotar os sete ex-namorados do mal dela.

Desde a primeira vez que li o primeiro volume, eu me apaixonei pela forma como Bryan conta a história do menino Scott. A narrativa é cheia de humor, reviravoltas e lutas, sem contar referências da cultura pop. Toda a saga de Scott é como se fosse um video-game e ele mesmo percebe isso.

É um livro para ler e se divertir, não consigo de jeito nenhum imaginar alguém lendo e não se divertindo, não acho que isso seja possível. Todos os personagens são peculiares e cativantes, além de Scott e seus interesses amorosos, alguns outros personagens que conhecemos também são os colegas de banda de Scott, Stephen Stills e Kim — sua ex-namorada do colégio — e a banda tem apenas um fã, Neil, irmão de Stephen Stills.

Apesar de Scott protagonizar a história, a série consegue fazer com que todos os personagens cresçam. Claro que o maior e mais claro desenvolvimento é o de Scott que no início é um garoto completamente perdido na sua vida, sem nenhuma noção de responsabilidade afetiva e que só vagabundeia por aí sem conseguir dar um passo para frente. É simplesmente lindo ver ele conseguir dar um passinho de cada vez mas melhorar tudo isso, e é realmente de pouquinho que ele faz isso, o que ajuda o leitor a se identificar com o personagem. Scott nos mostra que tá tudo bem ficar perdido e não ter forças para dar um pequeno passo, o que mais importa é fazer no seu tempo. Todos merecem uma segunda chance e Scott ganha isso conforme se desenvolve.

O que percebo é que todos os personagens possuem suas próprias limitações e medos e apesar de quererem muito que as coisas mudem, não encontram as ferramentas necessárias para tal. E quando encontram isso acaba trazendo mais medo ainda. Mas a mudança acontece, a gente querendo ou não. E no fim, precisamos lidar com essas mudanças. Como Ramona diz: é o normal.


Comparada com o filme, acho que as HQs são infinitamente melhor em todos os sentidos, exceto talvez pelas cenas de luta. Apesar de serem bem bacanas no livro ficou bem melhor ver ela visualmente no filme por causa dos efeitos especiais. Acho que foi minha primeira experiência lendo uma HQ sem cores e no início me dava um certo incômodo por isso, mas notei que não é nada necessário. Scott faz suas próprias cores com a qualidade da história criada. E apesar da premissa sair do fato de Scott precisar lutar com os ex de Ramona, chega um ponto da história que isso é praticamente esquecido e apenas acompanhamos esses personagens diferentes e cheios de questões. Assim como nós.

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